LA PAZ (Bolívia) – Há quatro semanas, estradas que ligam a capital boliviana estão bloqueadas por manifestantes alinhados ao ex-presidente Evo Morales, provocando desabastecimento, confrontos e uma crise humanitária que já causou pelo menos quatro mortes.
Como começou
Os protestos tiveram início no começo de maio de 2026, impulsionados por reivindicações econômicas, como reajuste salarial e queixas contra o alto custo de vida e a falta de combustíveis. Rapidamente, militantes de Morales assumiram a liderança dos atos, transformando a pauta trabalhista em mobilização para evitar a prisão do ex-presidente e contestar o governo de centro-direita de Rodrigo Paz, eleito no ano passado.
Mandado contra Evo Morales
Líder histórico da esquerda boliviana, Morales é alvo de ordem de captura por suspeitas de tráfico humano e abuso sexual de menor, relacionadas a fatos ocorridos durante seu mandato. Ele nega as acusações, alega perseguição política e permanece refugiado em seu reduto sindical no Trópico de Cochabamba, protegido por milícias e simpatizantes.
Consequências para a população
O bloqueio das vias que ligam La Paz e El Alto resultou em escassez aguda de alimentos, combustíveis e insumos hospitalares. Cirurgias foram suspensas pela falta de oxigênio, e quatro pessoas – entre elas uma criança de 12 anos – morreram sem conseguir atendimento porque ambulâncias ficaram retidas nas barreiras. Tentativas do governo de abrir corredores humanitários foram abandonadas após choques violentos com manifestantes.
Reações internacionais
Estados Unidos e a coalizão Escudo das Américas manifestaram apoio a Rodrigo Paz, enviando ajuda logística e médica. Argentina, Chile e Peru também encaminharam mantimentos. Em sentido contrário, o governo colombiano declarou simpatia aos protestos, o que levou La Paz a expulsar a embaixadora da Colômbia por “interferência em assuntos internos”.
Estratégia do governo
Para conter a crise, o presidente Paz combinou gestos de austeridade – anunciou corte de salários próprio e de ministros – com a busca de respaldo legal para uso das Forças Armadas. Com apoio no Senado, avançou proposta que facilita a decretação de estado de exceção, medida que permitiria a liberação das estradas pela tropa. Líderes próximos a Morales, entretanto, rejeitam diálogo e exigem a renúncia de Paz ou convocação de novas eleições.
A tensão permanece alta, com desabastecimento crescente e a capital cercada enquanto governo e opositores não chegam a um acordo.
Com informações de Gazeta do Povo