O governo japonês pretende iniciar em junho conversas formais com o Mercosul para firmar um Acordo de Associação Econômica (AAE) voltado aos setores automotivo e energético. A informação foi publicada nesta terça-feira (26) pelo jornal econômico Nikkei.
Segundo o diário, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, busca agendar uma reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, marcada para a metade de junho na França. A chefe de governo pretende apresentar pessoalmente a proposta de início das tratativas ao líder brasileiro.
Caso confirmadas, estas serão as primeiras negociações de livre-comércio conduzidas pela gestão Takaichi, que assumiu o cargo em outubro do ano passado com o objetivo declarado de reaquecer a economia japonesa.
Automóveis e energia no centro da pauta
O acordo em estudo prevê a redução de tarifas sobre veículos e a diversificação das fontes de petróleo e minerais críticos adquiridos pelo Japão. Hoje, cerca de 90% do petróleo consumido pelo arquipélago vem do Oriente Médio. O recente bloqueio do Estreito de Ormuz, provocado pela guerra na região, interrompeu parte desse fornecimento e levou Tóquio a liberar milhões de barris de suas reservas estratégicas.
Em viagem a Tóquio na semana passada, o chanceler brasileiro Mauro Vieira reuniu-se com o ministro da Economia japonês, Ryosei Akazawa, que citou o Brasil como possível fornecedor de petróleo bruto diante das incertezas no Golfo Pérsico.
Além do petróleo, o Japão busca reduzir sua dependência da China na importação de minerais raros — insumos considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia.
Antecedentes das conversas
Japão e Mercosul discutem a possibilidade de um tratado de livre-comércio há vários anos. Em dezembro do ano passado, as partes deram um passo ao firmar um Marco de Associação Estratégica para ampliar as relações bilaterais, movimento que agora pode evoluir para um pacto mais amplo.
A reunião entre Lula e Takaichi, caso confirmada, deve definir o formato e o cronograma das futuras rodadas de negociação.
Com informações de Gazeta do Povo