Home / Economia / Gol e Avianca planejam repassar alta de 100% do combustível às tarifas até o fim de 2026

Gol e Avianca planejam repassar alta de 100% do combustível às tarifas até o fim de 2026

ocrente 1779377676
Spread the love

O Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Gol e Avianca, estuda elevar significativamente o preço das passagens para compensar a disparada do querosene de aviação (QAV) provocada pela guerra no Oriente Médio. A informação foi apresentada pelo CEO da holding, Adrian Neuhauser, durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o executivo, a meta é repassar aos consumidores todo o aumento do combustível até o fim deste ano. “Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou Neuhauser em conferência com investidores realizada na quarta-feira (20).

Impacto do combustível

Dados mais recentes mostram que o QAV subiu 40,7% em abril de 2026 em comparação com o mesmo mês de 2025. No mesmo período, a Petrobras reajustou o produto em 18% e aplicou acréscimo de 36,8% parcelado em seis vezes, evitando uma alta imediata de 54,8%.

Segundo a Gol, nem todo o reajuste pode ser aplicado de imediato porque parte das passagens foi vendida antes da disparada dos preços, além do tempo necessário para atualizar as tarifas nos sistemas de reservas. A companhia também manifestou preocupação com o possível impacto do encarecimento na taxa de ocupação dos voos.

Proteção financeira

Para reduzir a exposição às oscilações do petróleo, o Grupo Abra ampliou suas operações de hedge. A cobertura alcança agora 60% do consumo previsto para voos de passageiros entre junho e agosto, com teto de US$ 4 por galão. Entre março e maio, a proteção cobria cerca de 50% do consumo, com limite de US$ 2,45 por galão.

Comportamento do consumidor

Neuhauser apontou mudança no hábito de compra dos passageiros. O intervalo médio entre a aquisição do bilhete e o embarque caiu para cerca de 45 dias, redução de 10% em relação ao mesmo período de 2025. “Os consumidores estão acompanhando as notícias e esperando uma possível queda no preço antes de finalizar a compra, mas acabam adquirindo a passagem mais tarde”, explicou.

Reorganização de rotas

A holding informou que iniciou ajustes operacionais para enfrentar o aumento de custos. As medidas incluem a redução de frequências em rotas menos rentáveis, reforço de oferta em mercados considerados mais fortes e ações adicionais de corte de despesas.

O governo federal estuda linhas de crédito e outras iniciativas para tentar conter a alta das tarifas, mas as empresas reforçam que a pressão do combustível sobre o caixa permanece elevada, mesmo com os instrumentos de hedge.

Com todas as medidas, a Gol e a Avianca pretendem equilibrar receitas e custos em meio ao cenário internacional adverso e à incerteza sobre o comportamento do petróleo até o fim de 2026.

Com informações de Gazeta do Povo