China e Rússia criticaram publicamente, nesta quinta-feira (21), o processo aberto pela Justiça dos Estados Unidos contra o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, acusado de homicídio, conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de aeronaves em um episódio ocorrido em 1996.
Em entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, pediu que Washington interrompa o que chamou de “armadilhas judiciais” contra Havana. Segundo Guo, as sanções unilaterais e os processos movidos pelos EUA carecem de base no direito internacional e representam “abuso” dos meios legais. “Os Estados Unidos devem deixar de usar a arma das sanções e a arma judicial, bem como pôr fim às ameaças de uso da força”, declarou o diplomata, enfatizando o “apoio firme” da China à soberania cubana.
Moscou adotou tom semelhante. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que o Kremlin continuará oferecendo “o apoio mais ativo ao povo irmão cubano durante este período extremamente difícil”.
O indiciamento de Castro, formalizado na quarta-feira (20), é visto por Pequim e Moscou como parte de uma escalada de pressão dos Estados Unidos contra a ilha caribenha. Desde a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, Washington endureceu a política em relação a Cuba, impondo novas ameaças e restrições, incluindo embargo às exportações de petróleo, o que agrava a crise energética e humanitária local.
Raúl Castro governou Cuba entre 2008 e 2019, sucedendo o irmão, Fidel. Ele já não ocupa cargos oficiais, mas continua sendo figura influente no Partido Comunista cubano.
Com informações de Gazeta do Povo