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Falta de recursos e conflitos podem prolongar surto de ebola na África Central por mais de um ano

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O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda pode demorar mais de 12 meses para ser controlado, alertou a organização humanitária Catholic Relief Services (CRS) em 21 de maio de 2026.

De acordo com Rafaramalala Volanarisoa, chefe do escritório da CRS em Kinshasa, a combinação de escassez de suprimentos médicos, violência de grupos armados e desinformação entre comunidades locais dificulta as ações de contenção. “É uma crise muito grande. O ebola não tem tratamento nem vacina disponível aqui, então o controle é extremamente complicado”, afirmou.

Parcerias e custos

A CRS atua em sete dioceses católicas por meio de centros de saúde da Caritas, em cooperação com o Ministério da Saúde da RDC e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade calcula em aproximadamente US$ 3 milhões o valor necessário para interromper a propagação do vírus. Estimativas internas indicam que, se o número de casos ultrapassar 500, o surto pode se estender por mais de um ano.

Números do surto

Segundo dados apresentados por Volanarisoa:

  • 33 casos confirmados de ebola na RDC;
  • 516 casos suspeitos no país;
  • 131 mortes entre casos suspeitos;
  • 541 pessoas identificadas como contatos de casos confirmados ou de óbitos sintomáticos;
  • 2 casos confirmados em laboratório em Kampala, Uganda, incluindo uma morte. Ambos os pacientes viajaram da RDC.

Desafios no campo

O avanço do vírus é agravado pelo deslocamento de populações provocado por conflitos regionais e pela resistência de algumas comunidades às orientações de saúde. Boatos de que o ebola seria “falso” ou uma ameaça às tradições, sobretudo às práticas funerárias, dificultam a adesão a procedimentos seguros. “Há quem acredite que se trata de algo trazido para mudar o nosso modo de vida”, relatou Volanarisoa.

A CRS não atua diretamente na linha de frente; o trabalho fica a cargo de profissionais locais, considerados mais aptos a vencer barreiras culturais e linguísticas. Os recursos enviados pela organização são usados para adquirir equipamentos de proteção individual, materiais de higiene e folhetos educativos voltados tanto às equipes médicas quanto às comunidades.

Mesmo sem uma estimativa precisa da extensão total do surto, a CRS reforça que acelerar o fornecimento de insumos e ampliar a informação correta à população são medidas decisivas para reduzir o tempo de contenção.

Com informações de Gazeta do Povo