Brasília, 19 de maio de 2026 – Parlamentares dos partidos PL e Novo apresentaram nesta terça-feira (19) uma proposta alternativa à PEC que extingue a escala 6×1. A bancada oposicionista defende um modelo de remuneração por hora trabalhada, alegando que a mudança preserva direitos constitucionais e evita impacto financeiro imediato sobre empresas.
Como funciona a proposta
Pelo texto sugerido, o empregado poderia negociar livremente sua carga horária, recebendo proporcionalmente ao tempo de serviço. Segundo os defensores, permaneceriam inalterados benefícios como FGTS, 13º salário e férias. A oposição sustenta que o novo formato permitiria ajustes de jornada para estudos ou cuidados familiares, modernizando a legislação sem onerar o setor produtivo.
Críticas ao ritmo da PEC
Senadores e deputados afirmam que o governo e legendas de esquerda aceleram a tramitação visando as eleições de 2026. Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a discussão é “legítima, porém inoportuna” se conduzida sem estudos de impacto sobre pequenos negócios e o setor de serviços. O receio é de demissões em massa e aumento de custos de produtos e serviços.
Estrategia para mudar o texto
A oposição trabalha em duas frentes: desacelerar as votações e incluir emendas que facilitem a transição. A deputada Julia Zanatta (PL-SC) propôs um período de adaptação de 12 anos, reduzindo apenas uma hora da jornada semanal a cada três anos. Paralelamente, senadores negociam com a Presidência do Senado para adiar a análise final para o fim do segundo semestre, quando o calendário legislativo costuma ser mais enxuto.
Possível apoio parcial
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), sinalizou que o grupo pode votar a favor de uma redução de jornada, desde que o relatório final inclua mecanismos de flexibilização e liberdade de escolha para o trabalhador. “Queremos um texto equilibrado que não vire apenas um slogan eleitoral”, declarou.
A escala 6×1 – seis dias de trabalho seguidos por um de folga – é amplamente adotada em setores como comércio e restaurantes. Enquanto o governo sustenta que o fim desse regime elevará a qualidade de vida dos trabalhadores, oposicionistas e parte do empresariado alertam para o aumento de custos e possível fechamento de postos de trabalho.
Com o início das negociações, a expectativa é de que a PEC e as emendas apresentadas sejam debatidas ao longo dos próximos meses, dependendo do acordo sobre o calendário de votações.
Com informações de Gazeta do Povo