Cuba atravessa uma das piores crises de sua história recente, com carências severas em alimentação, saúde, energia, educação e finanças. A situação, que se agravou após a interrupção do envio de petróleo da Venezuela e o bloqueio imposto por Washington à chegada de combustíveis à ilha, vem reduzindo sensivelmente a capacidade de resposta do governo de Miguel Díaz-Canel.
Rumores divulgados nesta semana apontam que Havana teria adquirido mais de 300 drones militares de Rússia e Irã para um eventual confronto com os Estados Unidos. Em declarações recentes, Díaz-Canel alertou que haveria “banho de sangue” caso o ex-presidente Donald Trump optasse por uma operação militar na ilha.
Queda drástica na infraestrutura
Para o professor de Políticas Públicas do Ibmec Eduardo Galvão, a combinação de pressões externas e colapso interno minou a estrutura do Estado cubano. “O país enfrenta apagões de até 20 horas por dia, escassez aguda de combustível, deterioração da infraestrutura e dificuldades de abastecimento. Isso compromete logística, mobilidade, produção e serviços essenciais, diminuindo a capacidade operacional do governo em um cenário de crise prolongada”, explicou.
Trump fala em “nação falida” e oferece ajuda
Em Washington, Trump declarou nesta terça-feira (19) que não seria difícil para os EUA “resolverem” a crise cubana. “Cuba está nos chamando. Eles precisam de ajuda. Cuba é uma nação falida e nós vamos ajudar”, afirmou, sem detalhar que tipo de apoio estaria em discussão.
Protestos internos crescem
A prolongada crise energética tem levado a uma nova onda de manifestações populares. Segundo Galvão, os protestos ficaram mais frequentes e passaram a incluir confrontos diretos com as forças de segurança, obrigando o governo a redirecionar recursos de repressão interna e reduzindo ainda mais sua margem de manobra externa.
Roteiro de alianças esvaziado
Ludmila Culpi, professora de Relações Internacionais da PUCPR, avalia que o discurso agressivo do regime funciona como estratégia de signaling para mascarar a falta de poder militar real. “Desde janeiro, quando a intervenção norte-americana na Venezuela derrubou Maduro e bloqueou o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba, a ilha perdeu seu principal aliado na região. O que resta é solidariedade retórica e apoio humanitário limitado”, disse.
A China continua enviando assistência financeira, alimentar e tecnológica, mas evita qualquer compromisso militar que a coloque em rota de colisão direta com Washington. Já a Rússia, apesar das críticas do presidente Vladimir Putin às sanções americanas e da promessa de manter o suprimento de petróleo, enfrenta restrições militares decorrentes da guerra na Ucrânia e de seu reduzido alcance naval no Atlântico.
Culpi lembra ainda a Crise dos Mísseis de 1962 como fator histórico que desestimula Moscou e Pequim a confrontarem os EUA no Caribe, onde Washington mantém supremacia militar.
Sem combustível suficiente, enfrentando longos apagões e com apoio externo limitado, Cuba chega a 2026 com poder de reação drasticamente reduzido diante da pressão americana.
Com informações de Gazeta do Povo