Brasília – O advogado e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão comunicou nesta terça-feira (19) que não representa mais o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Na nota divulgada, Aragão sinaliza desconforto em integrar uma eventual delação premiada que estaria sendo articulada pela defesa do ex-executivo.
Costa foi detido em 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, e permanece no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido R$ 146,5 milhões em propina do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
As investigações apontam que Costa e Vorcaro negociaram seis imóveis de alto padrão em São Paulo, avaliados no mesmo montante de R$ 146 milhões. Desse total, R$ 74,6 milhões em bens teriam sido efetivamente transferidos ao ex-presidente do BRB como contrapartida para facilitar a compra, pelo banco público, de ativos supostamente fraudulentos do Master.
No momento da prisão, a defesa era conduzida pelo advogado Cleber Lopes, que refutou as acusações e classificou a medida como “absolutamente desnecessária”.
Nota do advogado
No comunicado, Aragão – que atuou por quase 30 anos no Ministério Público Federal – afirmou só participar de iniciativas “pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”. Ele adicionou que uma colaboração premiada só seria cogitada se existirem “provas consistentes e inequívocas”, sempre respeitando legalidade, instituições e a reputação dos envolvidos.
Com a saída de Aragão, a estratégia de defesa de Paulo Henrique Costa deverá ser rediscutida nos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de acordo de delação.
Com informações de Gazeta do Povo