Rio de Janeiro – O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), divulgou nesta sexta-feira (15) um vídeo nas redes sociais para se defender após ser alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de sonegação de impostos no setor de combustíveis.
A PF apura se Castro favoreceu o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, apontada como maior devedora contumaz do país, com passivo tributário de R$ 26 bilhões. Segundo a decisão que autorizou a ação, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, há indícios de “participação estreita” entre o ex-governador e o empresário.
No vídeo, Castro classificou as suspeitas como “ilações irresponsáveis” e afirmou que foi a única gestão estadual a conseguir cobrar tributos da Refit. “Garantimos um acordo que já devolveu mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Quem beneficia devedores e, ao mesmo tempo, é o único a cobrar o pagamento das dívidas?”, questionou.
Viagem a Nova York e lei complementar
Entre os pontos citados pela PF está uma viagem de Castro a Nova York, supostamente patrocinada pela Refit. Ele argumentou que foi aos Estados Unidos para participar de um fórum organizado pela revista Veja, que contou com autoridades do Legislativo e do Judiciário, incluindo o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. “O que tenho a ver com o patrocinador privado de um evento promovido por uma revista?”, declarou.
A investigação também destaca a sanção da Lei Complementar 225/2025, considerada pela PF “sob medida” para facilitar a renegociação das dívidas da Refit. Castro respondeu que o texto seguiu recomendação do Conselho Nacional de Secretários de Fazenda (Confaz) e foi aprovado por unanimidade pelos 27 estados. “Antes mesmo dessa lei, a empresa já possuía um acordo de pagamento com o Estado, o que prova que não há relação entre os fatos”, disse.
Bloqueio de bens e calendário eleitoral
Autorizada pelo Supremo, a Operação Sem Refino bloqueou cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e suspendeu as atividades das empresas investigadas. Pré-candidato ao Senado, Castro sugeriu motivação eleitoral na ofensiva policial: “Em anos de eleição, infelizmente, esse expediente sempre é usado. Isso é muito triste. Mesmo assim, continuo acreditando na Justiça do meu país, hoje e sempre.”
O ex-governador encerrou a manifestação reiterando confiança no Judiciário e dizendo que prestará todos os esclarecimentos necessários.
Com informações de Gazeta do Povo