Muhindo, jovem que escapou com vida de um massacre em 14 de outubro de 2014, na floresta da República Democrática do Congo, tem reunido adolescentes de sua aldeia para estudar a Bíblia e divulgar o Evangelho.
Na data do ataque, facções rebeldes invadiram a comunidade Mbuti poucos dias após a inauguração da primeira escola local. De acordo com a missionária russa Evgeniya Foster, 19 moradores foram mortos, entre eles o missionário designado para viver na aldeia e a esposa dele. Dois dos quatro filhos do casal sobreviveram após serem escondidos debaixo da cama pela mãe.
Entre as vítimas feridas estava Muhindo, encontrado por um professor na manhã seguinte. O garoto foi carregado pelo pai, com o crânio esmagado e em estado de inconsciência. Levado às pressas para um hospital, passou um mês ligado a aparelhos de suporte à vida; a cabeça chegou a inchar “do tamanho de uma bola de basquete”, relatou Evgeniya.
Sem respostas imediatas às orações pela recuperação do menino, Evgeniya e o marido, o norte-americano Don Foster, decidiram ir pessoalmente ao hospital. Naquele local, Don realizou o que descreveu como um “ato de fé” ao clamar por um milagre. No dia seguinte, Muhindo recobrou a consciência. Após receber alta, foi adotado pelo casal e tornou-se o primeiro filho do lar missionário.
Vocação confirmada
Criado pela família Foster, Muhindo ouviu, durante uma aula bíblica, a profecia de que seria “um Moisés para o seu povo”. Doze anos depois do massacre, ele voltou a visitar os missionários e anunciou que já reunia adolescentes de sua aldeia para ensiná-los sobre Deus.
Segundo Evgeniya, ninguém havia solicitado que o jovem iniciasse um trabalho evangelístico; o movimento seria resultado da continuação da obra do Espírito Santo. Embora ainda se assuste ao ver um machado, Muhindo segue ativo, levando “luz à escuridão que quase o matou”, afirmou a missionária.
Atuação dos Foster entre os Mbuti
Don e Evgeniya Foster dirigem a organização Love Your Neighbor Africa. Depois de cinco anos servindo pela Iris Ministries em Boane, Moçambique, Don mudou-se em 2011 para o nordeste congolês a fim de apoiar populações Mbuti deslocadas da floresta tropical. O casal desenvolve projetos educacionais, ações humanitárias e iniciativas missionárias na região.
Com expectativa média de vida de 29 anos, os Mbuti enfrentam pobreza extrema, acesso limitado a saúde e educação e perseguição de outros grupos étnicos, de acordo com o site da entidade.
O testemunho de cura de Muhindo, agora evangelista, tem sido utilizado pelos Foster como exemplo da “transformação possível mesmo em cenários de violência”, reforçando o trabalho junto às comunidades vulneráveis do Congo.
Com informações de Guiame