Brasília — O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta quarta-feira, 14 de maio de 2026, que não vê “razão” para criar mecanismos de compensação financeira às empresas caso seja aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas.
“Alguém já propôs compensar o setor produtivo quando o salário mínimo é reajustado? Não seria razoável”, declarou Boulos durante audiência de uma comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a matéria.
Compensação foi sugerida por Nikolas Ferreira
A ideia de oferecer incentivos às empresas partiu do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que apresentou emenda à PEC em abril. Para o parlamentar, transferir os custos da mudança ao empregador representaria “caridade com o chapéu alheio” e poderia aumentar o desemprego e a informalidade.
Tramitação acelerada
Além da PEC, tramita em regime de urgência um projeto de lei com o mesmo objetivo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), priorizou a proposta constitucional, considerada uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o ano eleitoral.
Pauta de campanha
Boulos tem atuado como porta-voz de iniciativas do Planalto nas redes sociais, defendendo o fim da escala 6×1, a redução da jornada e outras medidas vistas pelo governo como favoráveis ao trabalhador. Ele sustenta que apoiar a mudança é “estar ao lado do povo mais humilde”.
Contexto legal e estudos de impacto
Atualmente, a Constituição permite até oito horas diárias e 44 horas semanais de trabalho. A escala 6×1 possibilita folgas rotativas, exigindo apenas um domingo livre por mês. Pesquisas citadas por parlamentares contrários alertam para possíveis efeitos econômicos, como pressão inflacionária e aumento do desemprego, caso a carga horária seja reduzida.
A análise do texto prossegue na comissão especial antes de seguir para votação em plenário.
Com informações de Gazeta do Povo