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Fiesp acusa falta de diálogo e critica acordo para jornada semanal de 40 horas

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São Paulo – 14/05/2026 (15h57) – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, contestou o entendimento anunciado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que prevê a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extinguir a escala 6×1.

Críticas à condução do debate

Em entrevista publicada nesta quinta-feira (14) pela Folha de S. Paulo, Skaf afirmou que Motta “não ouviu os setores produtivos” e “desconhece a realidade das empresas brasileiras”. Para o dirigente, a discussão está sendo capitaneada por interesses “políticos e eleitorais”.

Skaf argumentou que segmentos como saúde, agricultura, siderurgia e alimentação possuem dinâmicas diferentes e necessitam de análise individualizada. Segundo ele, a indústria nacional opera com margens de lucro entre 2% e 3%, o que dificultaria a absorção dos custos gerados por uma nova carga horária.

Referência ao Chile e possíveis impactos

O presidente da Fiesp citou a experiência do Chile, que em 2024 aprovou medida semelhante, como exemplo negativo. De acordo com Skaf, o país vizinho registrou aumento da informalidade, desemprego e inflação após a mudança. Estudos mencionados por ele apontam risco de queda entre 1% e 3% no PIB brasileiro caso a redução seja implantada sem planejamento.

Negociação política e tramitação

Motta declarou que o acordo foi construído com integrantes do governo federal e da comissão especial responsável pelo tema. Participaram das conversas o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti.

A comissão marcou para 27 de maio a votação do parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Se aprovado, o texto segue ao plenário da Câmara no dia seguinte e, depois, ao Senado. O governo pretende concluir a aprovação ainda neste semestre e defende vigência imediata, sem período de transição.

Motta nega oportunismo eleitoral e prevê o fim da escala 6×1 “ainda neste mês”.

Com informações de Gazeta do Povo