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Missão irlandesa aponta venda livre de antibióticos e leva UE a suspender carne brasileira

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A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de nações autorizadas a vender carne bovina e outros produtos de origem animal ao bloco a partir de setembro. A medida, anunciada em 12 de maio de 2026, segue pressão de pecuaristas irlandeses que denunciaram supostas falhas no controle de antibióticos no rebanho brasileiro.

Investigação percorreu 3 mil km

Em 2025, representantes da Associação dos Produtores Rurais da Irlanda (IFA) e do periódico Irish Farmers Journal viajaram mais de 3 mil quilômetros por quatro estados brasileiros para checar a oferta de medicamentos veterinários. Segundo relatório publicado em novembro, o grupo conseguiu comprar “qualquer quantidade de qualquer tipo de antibiótico” sem apresentar receita, identificação da fazenda ou justificativa de uso.

O presidente da IFA, Francie Gorman, afirmou que “em um número significativo de estabelecimentos nem houve verificação de estoque, com vendas em dinheiro vivo, sem registro”. O documento lista fármacos como ceftiofur, tulatromicina, penicilina, florfenicol e tilosina entre os produtos obtidos com facilidade.

Falta de rastreabilidade é criticada

O relatório destaca ainda a inexistência de um sistema nacional obrigatório de identificação individual de animais, ao contrário do modelo adotado na Irlanda. Para os autores, essa lacuna compromete o controle sanitário e contraria exigências europeias.

Episódio com hormônio reforça pressão

A pressão aumentou após o Ministério da Agricultura irlandês ser informado, em 12 de dezembro de 2025, de que 128 kg de carne bovina brasileira contendo estradiol — hormônio proibido na UE — haviam sido distribuídos a três empresas locais. O lote foi recolhido e comunicado à Comissão Europeia, alimentando as críticas da IFA.

Protestos e votos contrários

Em janeiro, dias antes da votação que aprovou provisoriamente o acordo Mercosul-UE, milhares de pecuaristas irlandeses protestaram em Athlone. A Irlanda votou contra o pacto ao lado de França, Áustria, Hungria e Polônia.

Reação brasileira

Os ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgaram nota conjunta dizendo-se surpreendidos e prometendo “todas as medidas necessárias” para reverter a decisão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o país permanece habilitado a exportar até setembro e trabalha em protocolos para atender às novas exigências europeias.

Já a Frente Parlamentar da Agropecuária classificou a suspensão como política e alertou para possíveis novas barreiras a produtos nacionais. O Brasil exporta carne bovina para mais de 170 mercados e, há menos de três semanas, proibiu o uso de cinco antibióticos como promotores de crescimento, alinhando-se a práticas defendidas pela UE.

Com informações de Gazeta do Povo