Brasília – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), está elaborando protocolos para atender às novas normas sanitárias da União Europeia (UE) e, assim, manter as exportações de carne bovina ao bloco a partir de setembro.
O anúncio ocorreu após a Comissão Europeia divulgar, nesta terça-feira (12), uma atualização da lista de países autorizados a vender carne bovina e outros produtos de origem animal para o mercado europeu. O Brasil não apareceu na relação, que incluiu Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
Restrição a antimicrobianos é principal obstáculo
Segundo autoridades europeias, o Brasil ainda não cumpre as regras que limitam o uso de determinados antimicrobianos na produção animal, medida adotada pela UE para conter a resistência bacteriana. Em 24 de abril, o governo brasileiro já havia publicado portaria proibindo as substâncias avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina, utilizadas como promotores de crescimento na pecuária.
A Abiec ressaltou que, até setembro, o Brasil permanece habilitado a exportar carne bovina para o bloco e que só haverá impedimento se as garantias solicitadas pelos europeus não forem apresentadas dentro do prazo. Está prevista uma missão técnica da UE ao país no segundo semestre para avaliar a certificação.
Importância do mercado europeu
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira nos quatro primeiros meses de 2026, gerando receita de US$ 253,5 milhões. No período, China (US$ 2,7 bilhões), Estados Unidos (US$ 814,6 milhões) e Chile (US$ 284,5 milhões) lideraram as compras.
A Abiec representa 46 das maiores companhias do setor, responsáveis por 98% da carne bovina exportada pelo Brasil.
Com informações de Gazeta do Povo