O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltam a se encontrar nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. A reunião ocorre em meio a atritos recentes — como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, o aumento de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e a inclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky. Há ainda o episódio em que Washington expulsou um delegado da Polícia Federal, reação que levou Brasília a retirar as credenciais de um adido do ICE no Brasil.
No primeiro contato oficial entre os dois, na Cúpula da ASEAN em Kuala Lumpur, em outubro do ano passado, as câmeras registraram apenas trocas de sorrisos. Nos corredores diplomáticos, porém, persiste a dúvida: Trump repetirá a cordialidade ou colocará Lula em saia-justa? Para dimensionar o risco, veja nove ocasiões — todas diante das câmeras — em que o republicano ou membros de seu governo deixaram chefes de Estado e de governo visivelmente desconfortáveis.
1. Rei Abdullah II, da Jordânia (fev. 2025)
Na Casa Branca, Trump insistiu que a Jordânia aceitasse um plano norte-americano para retirar palestinos da Faixa de Gaza. O monarca contestou a proposta e defendeu uma solução desenhada por Egito e demais países árabes.
2. Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia (fev. 2025)
Dias depois, também em Washington, Trump criticou publicamente as tarifas indianas sobre produtos dos EUA. Modi, ao lado dele, limitou-se a um sorriso amarelo.
3. Keir Starmer, premiê do Reino Unido (fev. 2025)
Na mesma ocasião, o vice-presidente J. D. Vance acusou Londres de restringir a liberdade de expressão em medidas contra redes sociais dos EUA. Starmer negou impacto sobre cidadãos americanos.
4. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia (fev. 2025)
No Salão Oval, Trump e Vance impediram Zelensky de falar, cobraram gratidão pela ajuda militar e o expulsaram da Casa Branca. Após negociações, Kiev assinou em abril acordo para ceder terras raras aos EUA; em nova visita, em agosto, o episódio virou piada entre os três.
5. Micheál Martin, primeiro-ministro da Irlanda (mar. 2025)
Durante as celebrações do Dia de São Patrício, Trump afirmou que Dublin “tirou” indústrias farmacêuticas dos EUA graças a incentivos fiscais. Martin respondeu que a relação comercial é de mão dupla.
6. Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá (mai. 2025)
Depois de sugerir nas redes transformar o Canadá no 51.º estado americano, Trump disse a Carney que o país “ficaria melhor” como parte dos EUA. O canadense retrucou que “o Canadá não está à venda”.
7. Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul (mai. 2025)
Trump exibiu vídeos sobre suposta violência contra brancos no país e falou em “genocídio branco”. Ramaphosa contrapôs que a lei de desapropriação de terras não é racial e apresentou integrantes brancos de sua comitiva como prova.
8. Keir Starmer e Giorgia Meloni na Cúpula de Gaza (out. 2025)
Em palco no Egito, Trump elogiou a “beleza” de Meloni e, em seguida, perguntou com brusquidão “onde está o Reino Unido”, deixando Starmer sem reação antes de dispensá-lo a voltar ao lugar.
9. Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão (mar. 2026)
Questionado por um repórter japonês sobre a ofensiva contra o Irã, Trump recordou o ataque a Pearl Harbor: “Quem entende mais de surpresa do que o Japão?”. Takaichi apenas arregalou os olhos, sem comentário.
Com o histórico de abordagens ríspidas, o próximo encontro entre Trump e Lula desta quinta-feira será observado de perto por diplomatas e analistas em Brasília e em Washington.
Com informações de Gazeta do Povo