Home / Política / Estupro de crianças em SP reacende pressão no Congresso por redução da maioridade penal

Estupro de crianças em SP reacende pressão no Congresso por redução da maioridade penal

ocrente 1778051088
Spread the love

O estupro coletivo de duas crianças em 21 de abril, na capital paulista, voltou a impulsionar no Congresso Nacional a discussão sobre a diminuição da idade mínima para responsabilização criminal. O caso, praticado por quatro adolescentes e um adulto que gravaram o crime e publicaram o vídeo nas redes sociais, ganhou repercussão nacional após vir a público no último fim de semana.

Suspeitos identificados e presos

Três menores foram apreendidos em São Paulo; o adulto fugiu, mas acabou preso na Bahia. Segundo a Polícia Civil baiana, os adolescentes responderão por atos infracionais equivalentes a abuso sexual infantil.

Flávio Bolsonaro retoma PEC que reduz idade para 14 anos

Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reiterou no domingo (3) a defesa de sua Proposta de Emenda à Constituição, apresentada em 2019, que prevê a responsabilização penal a partir dos 14 anos para crimes como homicídio qualificado, estupro, tráfico de drogas e terrorismo. Para ser aprovada, a matéria precisa de três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado.

Tramitação travada na Câmara

Em março, a Câmara chegou a incluir a redução da maioridade em outra PEC, a da Segurança Pública, mas retirou o dispositivo para evitar a paralisação da proposta no Senado. O presidente da Casa, Hugo Motta (MDB-PB), articulou o recuo após acordo com o governo. O relator Mendonça Filho (PL-PE) também havia sugerido um referendo sobre o tema em 2028, ideia que acabou arquivada.

Reações opostas entre parlamentares

O episódio evidenciou a polarização. Parlamentares de direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF), cobraram votação rápida de projetos que ampliam punições para crimes sexuais. Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) destacou falhas na regulação das plataformas digitais, criticando a divulgação do vídeo do estupro.

Opinião pública como fator de pressão

Para o cientista político Ismael Almeida, casos de forte comoção costumam destravar propostas paradas. Ele avalia que a pauta pode ganhar corpo antes mesmo do calendário eleitoral, sobretudo em discursos focados em segurança pública.

Cenário internacional

O debate brasileiro ocorre enquanto outros países também revisam suas regras. Em fevereiro, o Senado argentino aprovou a redução da maioridade penal de 16 para 14 anos, alinhando-se à agenda do presidente Javier Milei e gerando críticas de entidades internacionais.

A discussão no Brasil permanece sem data para votação, mas o episódio em São Paulo adicionou novo combustível à pauta que divide Congresso e sociedade.

Com informações de Gazeta do Povo