Um porta-voz da Casa Branca confirmou nesta terça-feira (5) às agências Bloomberg e Associated Press que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na próxima quinta-feira (7), em Washington. O encontro ocorrerá na sede do Executivo norte-americano e ainda não consta na agenda oficial divulgada pelo governo dos EUA.
De acordo com o funcionário, que falou sob condição de anonimato, os dois chefes de Estado deverão discutir temas econômicos e de segurança de interesse comum. A Casa Branca não informou detalhes sobre a duração da conversa nem se haverá declarações conjuntas à imprensa.
Viagem confirmada pelo Planalto
Na segunda-feira (4), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) confirmou a ida de Lula a Washington, embora a viagem não aparecesse na agenda oficial do Palácio do Planalto. Segundo Alckmin, o objetivo é “fortalecer a relação bilateral” após um período de desgastes comerciais e diplomáticos.
Oscilações no relacionamento
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em 2025, a relação entre Washington e Brasília passou por altos e baixos. No ano passado, o governo norte-americano impôs um pacote tarifário ao Brasil e, posteriormente, sobretaxas adicionais sob a alegação de perseguição do Estado brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além das tarifas, autoridades brasileiras — inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — tiveram vistos cancelados.
No fim de 2025, a administração Trump flexibilizou parte das medidas, até que a Suprema Corte dos EUA anulou integralmente as tarifas em fevereiro de 2026. O último encontro presencial entre Lula e Trump ocorreu em outubro de 2025, na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean); o primeiro contato havia sido em setembro, à margem da Assembleia Geral da ONU.
Nova tensão diplomática
A reunião desta semana acontece em meio a um episódio de atrito envolvendo a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE). O governo americano acusou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho de tentar burlar o processo formal de extradição e o expulsou do país. Em resposta, Lula determinou a expulsão do agente norte-americano Michael Myers, invocando o princípio da reciprocidade.
Com a confirmação do encontro de quinta-feira, Washington volta ao centro das atenções da diplomacia brasileira, que busca superar impasses comerciais e reduzir tensões recentes.
Com informações de Gazeta do Povo