MANILA (Filipinas) — A irmã Eva Fidela Maamo, célebre cirurgiã e missionária católica apelidada de “Freira da Cura”, morreu em 14 de abril de 2026, aos 85 anos. Integrante das Irmãs de São Paulo de Chartres, a religiosa dedicou mais de cinco décadas à oferta de atendimento médico gratuito para populações carentes e comunidades indígenas espalhadas pelo arquipélago filipino.
Improviso salvador em Lake Sebu
Nos anos 1970, a freira ganhou notoriedade ao realizar uma cirurgia de emergência em Lake Sebu, região remota no sul do país. Sem acesso rápido a um hospital — a unidade mais próxima exigia horas de viagem e a travessia de vários rios —, ela improvisou uma mesa de bambu como mesa cirúrgica e utilizou água de coco para manter a paciente hidratada durante o procedimento, gesto que lhe rendeu o apelido que a acompanhou por toda a vida.
Capacitação de “médicos descalços”
Para enfrentar a falta de profissionais em áreas isoladas, a irmã Eva criou o programa de “médicos descalços”, formado por voluntários das próprias aldeias. Ao todo, mais de 270 moradores de 110 comunidades foram treinados para prestar primeiros socorros, conduzir exames básicos, aplicar ressuscitação e executar pequenas cirurgias.
Atenção às tribos e ações sociais
A religiosa manteve um vínculo especial com os povos T’boli, Aeta e Manobo. Além da assistência médica, ela coordenou projetos sociais, como o reassentamento de 146 famílias Aeta que perderam suas casas com a erupção do Monte Pinatubo, em 1991.
Instituições fundadas
Em 1984, a missionária criou a Fundação da Missão Nossa Senhora da Paz. O trabalho se expandiu em 1992 com a inauguração do Hospital Nossa Senhora da Paz, na região metropolitana de Manila, estruturado para oferecer cirurgias e tratamentos de alta complexidade a pacientes sem recursos.
Reconhecimento internacional
Pelo conjunto da obra, a irmã Eva recebeu o Prêmio Ramon Magsaysay em 1997, considerado o “Nobel da Ásia”, além do Prêmio Madre Teresa das Filipinas e da honraria Lasallian Star of Faith. Amigos e ex-pacientes recordam que a freira via a medicina como união de ciência rigorosa com compaixão pelos mais vulneráveis.
A religiosa deixa como legado uma rede de atendimento comunitário que continua a funcionar em dezenas de ilhas filipinas, servindo de modelo para iniciativas de saúde pública em regiões de difícil acesso.
Com informações de Gazeta do Povo