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Carga tributária atinge 32,4% do PIB em 2025 e escancara peso dos gastos públicos

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A carga tributária brasileira alcançou 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, totalizando R$ 2,89 trilhões, nível mais alto já registrado no país. O patamar expõe um modelo fiscal sustentado pelo crescimento das despesas públicas e coloca pressão adicional sobre empresas e contribuintes.

Arrecadação do tamanho da OCDE, mas com retorno inferior

Em 2024, o Brasil recolheu 34,12% do PIB em impostos, muito próximo da média de 34,1% verificada entre os 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A semelhança, porém, limita-se ao montante: na comparação internacional, os serviços públicos brasileiros têm desempenho considerado inferior, segundo o Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), no qual o país ocupa a última posição entre as 30 nações de maior carga tributária.

Para o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, o Brasil opera sob a lógica do “spend and tax”, isto é, aumento de gastos seguido de novos tributos para financiá-los. “Alguns negócios não param de pé com uma carga tributária mais alta. Isso reduz o potencial de crescimento”, afirma.

Impactos sobre investimento e informalidade

A elevação dos impostos encarece projetos privados e, de acordo com a Curva de Laffer, pode tornar o aumento da alíquota contraprodutivo quando sufoca a atividade econômica. Além de desestimular investimentos, a tributação elevada impulsiona a informalidade e restringe a base arrecadatória.

Gastos públicos crescem por decisão política

Ex-secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa afirma que a expansão das despesas é fruto de escolha deliberada do governo. Levantamento mostra que, no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram editadas 43 medidas para ampliar a arrecadação – uma a cada 27 dias.

As despesas obrigatórias e discricionárias consomem de 92% a 95% do orçamento federal desde 2024. Para 2026, a estimativa é de que os gastos cheguem a 19% do PIB, ou R$ 2,6 trilhões.

Tributação concentrada no consumo e alto custo burocrático

Impostos como PIS, Cofins e ICMS respondem por grande parte da arrecadação, o que eleva preços e pesa proporcionalmente mais sobre a população de menor renda, observa João Eloi Olenike, do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Pesquisa do Banco Mundial indica que empresas instaladas no Brasil gastam mais de 1.500 horas por ano para cumprir obrigações fiscais, ante cerca de 200 horas nos países da OCDE, fator que reduz a produtividade e a competitividade.

Reforma tributária e simplificação como caminhos

Especialistas defendem que a implementação da reforma tributária, com unificação de tributos sobre consumo, definição de alíquotas e redução da burocracia, pode dar previsibilidade ao ambiente de negócios. Giuliano Miotto, presidente do Instituto Liberdade e Justiça, destaca também a necessidade de eliminar regimes especiais e assegurar neutralidade, para que o sistema arrecade “sem distorcer os sinais de mercado”.

Com informações de Gazeta do Povo