WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta sexta-feira (1º) a saída de 5 mil soldados americanos da Alemanha no prazo máximo de um ano, medida que amplia o atrito com Berlim e demais parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A decisão foi tomada poucos dias depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarar que o Irã “humilhou” Washington e que não enxerga uma estratégia americana para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Revisão da presença militar
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, informou que a ordem resulta de uma revisão da estrutura de forças dos EUA na Europa. “A retirada ocorrerá entre seis e doze meses”, disse. Uma brigada de combate será desativada em solo alemão, devolvendo o efetivo americano no continente ao patamar de 2022, anterior à invasão russa da Ucrânia.
Com isso, fica revogado o plano anunciado pelo governo Joe Biden na cúpula da Otan de 2024, que previa o envio de um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance para a Alemanha ainda este ano. Segundo autoridades, os militares deslocados serão redistribuídos para regiões do Hemisfério Ocidental e do Indo-Pacífico.
Alemanha, eixo estratégico dos EUA na Europa
No fim de 2025, os Estados Unidos mantinham 68 mil militares ativos em toda a Europa, sendo 36,4 mil instalados na Alemanha, de acordo com o Centro de Dados de Recursos Humanos da Defesa. O país abriga instalações cruciais, como a Base Aérea de Ramstein, o Comando Europeu (EUCOM) e o Comando Africano (AFRICOM) dos EUA, além do Centro Médico Regional de Landstuhl, maior hospital militar americano fora do território nacional. Essas estruturas serviram de hub logístico e de apoio à operação “Fúria Épica” contra o Irã.
Possíveis cortes na Itália e na Espanha
Na quinta-feira (30), Trump afirmou que também estuda reduzir contingentes na Itália e na Espanha. Madrid, que abriga cerca de 3,2 mil militares americanos, vem se opondo ao uso de suas bases desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, postura que levou o presidente norte-americano a ameaçar sanções comerciais e, inclusive, a suspensão do país da Otan — hipótese não prevista pelas regras da aliança.
Em Roma, o governo de Giorgia Meloni recusou, no fim de março, o uso de uma base na Sicília por aeronaves dos EUA que transportavam armamentos. O impasse se agravou após críticas da premiê a declarações de Trump sobre o papa Leão XIV.
Com a retirada anunciada, o efetivo dos Estados Unidos na Alemanha deverá cair para cerca de 31 mil militares, enquanto o Departamento de Defesa redefine prioridades em meio às tensões no Oriente Médio e à disputa estratégica no Indo-Pacífico.
Com informações de Gazeta do Povo