Cidade do México – A partida de estreia da Copa do Mundo de 2026, marcada para 11 de junho no Estádio Azteca entre México e África do Sul, aproxima-se em meio a uma série de problemas que colocam em dúvida a capacidade mexicana de sediar o torneio 40 anos após sua última experiência como anfitrião.
Escalada de violência
Na segunda-feira, 20 de abril, um ataque a tiros no sítio arqueológico de Teotihuacán deixou uma turista canadense morta e 13 feridos. Em fevereiro, a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación, desencadeou uma onda de confrontos: 62 pessoas morreram, 70 foram presas e ocorreram 85 bloqueios de rodovias em 11 estados.
Diante do cenário, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, anunciou em 21 de abril reforço no policiamento, inclusive em zonas arqueológicas, em coordenação com outras autoridades federais.
Obras atrasadas e orçamento estourado
A infraestrutura também preocupa. A passarela que ligará o Estádio Azteca ao Terminal Multimodal de Huipulco teve o orçamento reajustado de 25,3 para 60 milhões de pesos (cerca de R$ 17 milhões) e só deve ficar pronta no fim de maio, embora a entrega estivesse prevista para março. No mesmo complexo, o mercado do terminal teve a conclusão adiada do fim de março para maio.
O próprio Estádio Azteca, reaberto após 671 dias fechado, ainda apresenta obras externas e uma tribuna inacabada no anel inferior.
Ameaças de protestos
Profissionais do sexo removidas do entorno do Azteca prometem bloquear avenidas e a Linha 2 do metrô caso não possam voltar ao local durante o Mundial. Já a Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) ameaça fechar rodovias e vias próximas aos estádios se suas demandas não forem atendidas.
Ceticismo interno
Para o consultor de segurança David Saucedo, os episódios recentes mostram uma “violência estrutural e sistemática” que impede o país de garantir proteção total durante a Copa. A professora de Relações Internacionais Fernanda Brandão, da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, avalia que a sequência de incidentes enfraquece o discurso oficial de restauração da segurança.
O geopolítico João Alfredo Lopes Nyegray, da PUCPR, afirma que o ataque em Teotihuacán altera a “geografia do risco” por ocorrer próximo a um dos pontos turísticos mais simbólicos do país. Segundo ele, a presença de grupos armados não estatais dificulta que o México use o torneio como estratégia de sportswashing.
Agenda do Mundial
O México será palco de 13 jogos em três cidades: Cidade do México, Monterrey e Guadalajara. Enquanto autoridades mantêm o discurso de que tudo estará pronto, o relógio avança e pressões por segurança, infraestrutura e diálogo com grupos descontentes aumentam a tensão às vésperas do maior evento do futebol mundial.
Com informações de Gazeta do Povo