O governo argentino determinou, nesta quinta-feira (23), a suspensão por tempo indeterminado do acesso de todos os jornalistas credenciados à Casa Rosada, sede da Presidência em Buenos Aires. A medida foi adotada depois de acusações de suposta espionagem ilegal envolvendo profissionais do canal de televisão TN.
Em publicação na rede X, o secretário de Comunicação e Imprensa, Javier Lanari, afirmou que a revogação das credenciais é “preventiva” e tem “o único objetivo de garantir a segurança nacional”.
Credenciais canceladas até nova investigação
Segundo o diário Clarín, o governo de Javier Milei decidiu não renovar as credenciais que venceriam no fim de março e haviam sido prorrogadas até abril. Fontes oficiais informaram que o prolongamento para 2025 foi anulado e nenhum profissional entrará no palácio presidencial até que um novo processo de credenciamento seja aberto.
Queixa-crime contra repórteres da TN
A Casa Militar, responsável pela segurança presidencial, apresentou queixa-crime contra os jornalistas Luciana Geuna e Ignacio Salerno, da TN, alegando “ameaça à segurança nacional” pela exibição de imagens de áreas internas do edifício. Em mensagem no Facebook, Milei declarou: “A impunidade acabou”, acusando os repórteres de usarem “câmera escondida sem autorização prévia” e chamando-os de “lixos repugnantes”.
Em nota, a TN afirmou que todas as filmagens ocorreram “em áreas comuns e espaços públicos, de acordo com as normas vigentes” e que o material bruto foi colocado à disposição da Justiça.
Entidades criticam a decisão
O Fórum Argentino de Jornalismo (Fopea) classificou a suspensão como “ação de extrema gravidade institucional”, por comprometer a cobertura do Poder Executivo. Já o Sindicato da Imprensa de Buenos Aires (SiPreBa) definiu a iniciativa como “ato de censura” e a inseriu num contexto de “crescentes abusos de poder” por parte do presidente.
Até a conclusão desta reportagem, não havia previsão para a retomada do credenciamento de imprensa no palácio presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo