Brasília — 22 de abril de 2026. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) determinou a suspensão imediata das atividades do agente norte-americano que atuava junto à Polícia Federal em Brasília. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (22), baseia-se no princípio da reciprocidade após a expulsão do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos.
Em nota, o Itamaraty afirmou que o governo de Donald Trump não observou “boas práticas diplomáticas” ao afastar, de forma verbal e sem diálogo prévio, o delegado da PF que exercia funções no Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami. O policial brasileiro esteve envolvido no monitoramento do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A encarregada de negócios dos EUA no Brasil, Kimberly Kelly, foi convocada à sede do ministério na tarde de terça-feira (21) e comunicada da medida. Segundo a chancelaria, também verbalmente, foram repassados os termos da retaliação brasileira: o representante norte-americano de área equivalente deverá interromper imediatamente suas funções oficiais em território nacional.
O Itamaraty sustenta que Washington violou o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento que regula o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança. O documento, assinado por ambos os governos, prevê pedido de esclarecimentos antes de qualquer suspensão de atividades. Para a diplomacia brasileira, a postura dos EUA “não observa a boa prática de diálogo entre nações amigas”, apesar dos mais de 200 anos de relações bilaterais.
A nota do MRE lembra que o agente brasileiro atuava amparado pelo acordo de cooperação e classifica a decisão americana como “sumária”. O texto reitera que a resposta brasileira seguirá o princípio da reciprocidade até que o impasse seja solucionado.
Com informações de Gazeta do Povo