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Oposição acusa Alexandre de Moraes de aplicar dois pesos e duas medidas em delações premiadas

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Brasília, 22 de abril de 2026 – Parlamentares da oposição voltaram a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por supostas diferenças de tratamento em acordos de colaboração premiada. Segundo deputados e senadores, o magistrado estaria sendo rigoroso na homologação da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que cria barreiras para o acordo pretendido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.

Delação de Cid teria ocorrido sob pressão

Mauro Cid firmou colaboração que sustenta investigações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados de Bolsonaro alegam que o militar foi submetido a “tortura psicológica” e a ameaças envolvendo familiares até aceitar o acordo, questionando a voluntariedade do depoimento.

Negociação de Vorcaro enfrenta obstáculos

Já Daniel Vorcaro tenta fechar delação que, de acordo com parlamentares oposicionistas, poderia revelar esquema de corrupção envolvendo autoridades do Judiciário, do Congresso e do setor financeiro. A oposição sustenta que o STF estaria impondo condições para esfriar ou anular o acordo, numa estratégia vista como tentativa de “blindar” figuras influentes em Brasília.

ADPF 919 pode redefinir validade de colaborações

O debate ganhou força após Moraes liberar para julgamento, ainda em abril, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 919, apresentada pelo PT. A ação questiona se um investigado preso tem liberdade real para decidir delatar. Caso o plenário considere inválidas colaborações feitas durante a prisão, provas obtidas nos casos de Cid e, futuramente, de Vorcaro, podem ser anuladas.

Repercussão política

Integrantes da oposição afirmam que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), evita confrontar o STF na tentativa de manter boas relações institucionais. Para esses parlamentares, a postura reforçaria suspeitas de conivência entre Poderes para proteger interesses políticos e familiares.

O STF ainda não definiu data para julgar a ADPF 919. Enquanto isso, partidos de oposição prometem intensificar pressões na Câmara e no Senado para que a Corte mantenha critérios uniformes sobre delações premiadas.

Com informações de Gazeta do Povo