O percentual de lares brasileiros com dívidas atingiu 80,4% em março, o maior já registrado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em entrevista ao programa Café com a Gazeta, o economista Adriano Paranaiba, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, atribuiu o avanço do endividamento à “incompetência” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Paranaiba ressaltou que o aumento das dívidas hoje se dá, principalmente, pelo parcelamento de despesas diárias, reflexo do avanço silencioso da pobreza. “Não é um endividamento de consumo incentivado por juros baixos, mas de necessidade”, afirmou.
Risco de nova recessão
O especialista relembrou a recessão vivida durante o governo Dilma Rousseff, também marcada, segundo ele, por forte endividamento. De acordo com Paranaiba, quando as famílias comprometem renda com dívidas, o consumo retrai, a renda cai e o país pode voltar a enfrentar recuo econômico.
Combustíveis e dólar
Questionado sobre a alta nos preços dos combustíveis, o economista contestou a justificativa do governo federal de que a guerra no Oriente Médio seria a principal causa do encarecimento. Ele comparou o período do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando, segundo ele, o barril do petróleo estava mais caro que o atual e a gasolina custava menos. “A verdadeira responsável é a Petrobras, que voltou a rever processos de desestatização”, comentou.
Paranaiba também divergiu de parlamentares governistas que associam a recente queda do dólar à atuação da atual gestão. Para o economista, a desvalorização da moeda norte-americana decorre de questões de credibilidade do governo dos Estados Unidos e de tensões geopolíticas.
Debate sobre a escala 6×1
Em tramitação na Câmara dos Deputados, a proposta de acabar com a jornada 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) terá, na visão do professor, “impacto terrível” sobre a economia. Ele defendeu uma revisão ampla da legislação trabalhista. “Estamos tentando resolver problemas atuais com um modelo dos anos 1940 que já não atende mais”, disse.
Os números da CNC indicam que o cenário continua adverso para o orçamento das famílias brasileiras, enquanto o debate sobre políticas trabalhistas e energéticas segue acalorado em Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo