A imagem pública dos cristãos nos Estados Unidos enfrenta um desafio significativo. Levantamento recente do Barna Group mostra que apenas 22% dos adultos do país acreditam que os cristãos são reconhecidos pela empatia.
Os dados fazem parte da pesquisa Spiritually Open, também conduzida pelo instituto. Entre os entrevistados sem filiação religiosa, 48% descrevem o cristianismo como “julgador” e 49% como “hipócrita”. Somente 15% afirmam sentir respeito pela fé cristã. Quanto à capacidade de ouvir ativamente, os não cristãos aparecem divididos, indicando que muitos não se sentem ouvidos, cuidados ou compreendidos.
O que as pessoas esperam
Questionados sobre conversas com cristãos, os participantes apontaram como principal expectativa “escutar sem julgar”. Para o pastor Eugene Cho, presidente da organização Bread for the World, o entrave não é falta de informação, mas de empatia. “O problema não é mais informação, é empatia”, disse.
Generalização de exemplos negativos
Cho observa que casos isolados com má conduta acabam sendo usados para representar todo o grupo, reforçando estereótipos. Segundo ele, esse foco nas exceções alimenta a percepção de frieza e fortalece uma mentalidade voltada apenas para interesses pessoais.
Respostas consideradas insuficientes
A pesquisa menciona ainda que, em temas como operações de imigração, as respostas de muitas igrejas foram vistas como hesitantes ou excessivamente politizadas, o que prejudicou a mensagem de compaixão esperada por imigrantes e céticos.
Empatia como elemento bíblico
Embora o termo “empatia” não apareça literalmente nas Escrituras, o conceito está presente na palavra grega splanchnizomai, usada nos Evangelhos para descrever a compaixão de Jesus. Para estudiosos citados pelo Barna, a distância entre essa compaixão visceral e a percepção atual de frieza contribui para a crise de credibilidade.
Polarização e escassez percebida
Cho acrescenta que a sensação de escassez e o clima político polarizado intensificam atitudes defensivas, limitando o círculo de preocupação ao “eu, minha família, meu grupo”. Esse comportamento, afirma, afeta tanto a política quanto o discipulado cristão, tornando vizinhos figuras abstratas em vez de pessoas reais.
Ouvir e aprender
Para reverter o quadro, o pastor defende um passo simples, porém exigente: “Começa com ouvir e aprender; fazer um esforço extra para se conectar com pessoas fora dos nossos círculos habituais”. Ele ressalta que essa postura não elimina divergências, mas altera o tom das discussões e pode restaurar a credibilidade da Igreja.
A pesquisa conclui que muitos norte-americanos não rejeitam necessariamente as crenças cristãs, mas sim a forma como enxergam a postura de quem as professa: prontos a julgar, lentos para cuidar e pouco dispostos a escutar.
Com informações de Folha Gospel