Buenos Aires, 20 abr. 2026 – Publicações de sites e perfis políticos brasileiros no fim de semana afirmaram que a população argentina estaria recorrendo à carne de burro por causa da crise econômica. A informação, porém, distorce reportagens de veículos argentinos que tratam de um projeto experimental restrito à Patagônia.
Os textos originais, divulgados por Infobae e Clarín, descrevem a iniciativa de criadores locais que buscam diversificar a produção em áreas com dificuldades para manter a pecuária tradicional. Em entrevista ao Infobae, o produtor rural Julio Cittadini – um dos responsáveis pela experiência – negou qualquer relação com a crise. Segundo ele, a criação de burros para abate é vista como “alternativa viável” em regiões onde gado bovino, ovino ou caprino encontram limitações de clima e pastagem.
O projeto permanece em escala reduzida e enfrenta barreiras culturais e de mercado. Reportagem do Clarín coloca a carne de burro ao lado de outras opções regionais, como a de lhama, destacando que não há mudança no padrão nacional de consumo.
No Brasil, portais de orientação política à esquerda apresentaram a experiência patagônica como sinal de colapso econômico argentino, sugerindo que a população teria abandonado a carne bovina por falta de recursos. As publicações ignoraram o caráter localizado do estudo e a inexistência de substituição em massa.
A Argentina segue entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo, apesar da retração recente na renda das famílias. A introdução da carne de burro, segundo os próprios produtores, busca apenas abrir novos nichos de mercado em territórios específicos.
Com informações de Gazeta do Povo