Teerã anunciou neste sábado, 18 de abril de 2026, um novo bloqueio ao Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no planeta. Meios de comunicação internacionais relataram ataques a pelo menos duas embarcações que tentavam atravessar a passagem estratégica.
A decisão foi tomada poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o bloqueio naval norte-americano a navios iranianos permanecerá em vigor até a assinatura de um acordo que ponha fim ao conflito entre Washington, Israel e o regime de Teerã.
Histórico recente de bloqueios
O primeiro fechamento imposto pelo Irã ocorreu em 28 de fevereiro, logo após o início da guerra, provocando forte alta nos preços globais de petróleo e gás. Em 7 de abril, EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas; entretanto, Teerã voltou a interromper o tráfego em Ormuz alegando violações da trégua devido a ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano. Washington e Tel Aviv sustentam que o acordo não incluía o território libanês.
No último dia 16, entrou em vigor um cessar-fogo de dez dias no Líbano. Na sexta-feira, 17 de abril, o chanceler iraniano Abbas Araghchi informou que o estreito havia sido reaberto, mas o pronunciamento de Trump sobre a continuidade do bloqueio naval levou Teerã a restabelecer as restrições neste sábado.
“Carta na manga” de Teerã
Em artigo no portal The Conversation, o pesquisador Ali Mamouri, da Universidade Deakin (Austrália), apontou três motivos para o uso recorrente de Ormuz como instrumento de pressão: arrecadação de pedágio em meio à crise econômica iraniana, valor estratégico do corredor como mecanismo de dissuasão militar e aumento de influência geopolítica, especialmente entre países do Sul Global. Segundo Mamouri, o controle sobre a passagem permite ao Irã negociar com nações dependentes de energia, estimulando-as a contornar sanções impostas pelos Estados Unidos.
Impacto nos vizinhos do Golfo
Para o economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, ouvido pela Gazeta do Povo, a manobra de Teerã coloca os exportadores de petróleo e gás do Golfo Pérsico em situação crítica. “Os países do Golfo sabem que estão na mão do Irã”, afirmou, lembrando que a crise reacendeu debates sobre rotas alternativas, como novos gasodutos, oleodutos e até a construção de um canal que contorne Ormuz pelos Emirados Árabes Unidos.
Sandro Teixeira Moita, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), considera que o regime passou a usar o estreito como poder de barganha ao cobrar taxas de navios. Embora a economia iraniana permaneça frágil, ele observa que, no campo informacional, ganha força a percepção de que Teerã saiu vitorioso frente aos Estados Unidos, sentimento que se espalha pelas redes sociais.
Com informações de Gazeta do Povo