Brasília, 18/04/2026 — O governo federal lançou o “Guia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero”, material que orienta assessorias de comunicação de todo o setor público a adotar linguagem considerada não sexista. O documento é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Proposta e alcance
Elaborado pelo Ministério das Mulheres, o guia afirma que “a comunicação não é neutra” e sustenta que o Estado deve liderar mudanças culturais por meio da forma como se comunica. As diretrizes valem para campanhas, releases, pronunciamentos oficiais e publicações em redes sociais produzidos por órgãos governamentais.
Críticas ao uso do masculino genérico
O texto classifica o emprego do masculino como gênero neutro na língua portuguesa como “perpetuação da misoginia”. Para ilustrar, cita a frase “Governo convoca empresários para retomada econômica”, argumentando que a expressão tende a invisibilizar mulheres empreendedoras.
Exemplos recomendados
Entre as sugestões apresentadas estão:
- Substituir “os usuários devem se cadastrar” por “o cadastro é obrigatório”;
- Empregar “as beneficiárias e os beneficiários” em vez de apenas “os beneficiários”;
- Trocar “proprietários” por “famílias contempladas”;
- Usar “população em situação de rua” no lugar de “moradores de rua”.
Argumentação do documento
Segundo o guia, quem domina a comunicação “define o campo do possível”. O material ressalta que cada peça divulgada pelo poder público influencia a percepção social sobre problemas, responsabilidades e soluções.
Repercussão envolvendo o presidente
O lançamento do guia ocorre enquanto críticos recordam declarações anteriores do presidente Lula consideradas ofensivas a mulheres. Entre elas, o episódio em que se referiu à então diretora-geral do FMI como “mulherzinha”, a justificativa de que escolheria Gleisi Hoffmann para o ministério por ser “uma mulher bonita” e a frase, após um jogo de futebol, de que “se o cara é corintiano, tudo bem” ao comentar violência contra mulheres.
O guia já está disponível para download nos canais oficiais do Ministério das Mulheres e passa a nortear a comunicação de órgãos federais, estaduais e municipais que adotarem as orientações.
Com informações de Gazeta do Povo