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CPI recomenda nova intervenção federal na segurança do Rio; balanço de 2018 indica queda nos roubos e alta na letalidade

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado concluiu os trabalhos nesta semana com a proposta de uma nova intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) justificou a medida afirmando que o Estado enfrenta “comprometimento estrutural da soberania” em áreas dominadas por facções e milícias.

Experiência anterior ocorreu em 2018

A primeira intervenção federal no Rio foi decretada pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro de 2018 e durou até 31 de dezembro daquele ano. O general Walter Braga Netto assumiu como interventor, concentrando o comando das polícias Civil e Militar.

Na época, o Rio vivia crise fiscal, aumento da violência e arrastões durante o Carnaval. Entre 2017 e os primeiros dias de 2018, 138 policiais militares foram assassinados. Sem verbas imediatas, os recursos federais começaram a chegar somente em maio.

Números da criminalidade durante a intervenção

De março a outubro de 2018, comparado ao mesmo período de 2017, o Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou:

  • Latrocínios: queda de 35,26% (meta era 10%);
  • Roubos de carga: queda de 19,22% (meta era 10%);
  • Roubos de veículos: redução de 8,2% (meta era 8%);
  • Roubos de rua: diminuição de 7% (meta era 5%).

O objetivo de reduzir a letalidade violenta não foi alcançado nos oito primeiros meses: houve alta de 2,58% contra previsão de recuo de 9%. No nono mês, porém, o indicador caiu 13% em relação a novembro de 2017.

Foco na reestruturação policial

Além das tropas nas ruas, o Gabinete de Intervenção Federal investiu mais de R$ 1 bilhão em viaturas, armas e equipamentos, desativou Unidades de Polícia Pacificadora consideradas ineficazes e treinou agentes em processos logísticos e de combate urbano. A ferramenta ISPGeo passou a orientar o policiamento por mapas de incidência criminal.

Mudança de rumo após 2019

Com o fim da intervenção, em 1º de janeiro de 2019, o governador Wilson Witzel descartou os planos deixados pelos militares e priorizou grandes operações em comunidades. As estatísticas voltaram a oscilar, e a pandemia de covid-19, a partir de março de 2020, dificultou a comparação dos dados. Witzel sofreu impeachment em abril de 2021 sob acusação de desvio de verbas da saúde.

Gestão Cláudio Castro

No governo Cláudio Castro (2021-2026), os homicídios diminuíram 6,8%: de 3.052 mortes em 2022 para 2.844 em 2025. Os registros de roubo caíram cerca de 10% no mesmo intervalo, passando de 108.393 para 97.666 ocorrências.

O período foi marcado por cinco das operações policiais mais letais da história fluminense. A maior, em 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão, resultou em 121 mortes. A Polícia Militar afirma que os mortos eram criminosos; entidades de direitos humanos contestam essa versão.

Situação atual e recomendação da CPI

No relatório, Vieira apontou a presença simultânea de duas grandes facções — Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro —, além das milícias, como fator que diferencia o Rio de outros estados. Para o senador, o quadro atende aos requisitos constitucionais de uma nova intervenção, que depende de decreto presidencial seguido de aprovação do Congresso.

O texto lembra que, em 2018, a ausência de programas sociais e o prazo “excessivamente curto” limitaram os resultados. Como o relatório não foi votado pela CPI, a recomendação não tem efeito vinculante. Até o fechamento desta reportagem, o Palácio do Planalto não havia se manifestado.

Com informações de Gazeta do Povo