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Governo articula criação da Terrabras, estatal para exploração de terras raras

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Brasília – 17/04/2026. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia dois projetos de lei que propõem a criação da Empresa Brasileira de Mineração de Terras Raras, a Terrabras, estatal voltada à produção e ao processamento desses minerais estratégicos.

Dois textos tramitam na Câmara

Tramitam na Câmara dos Deputados o PL 1733/2026, protocolado em 9 de abril por parlamentares da base governista, e o PL 1754/2026, apresentado um dia depois pela bancada do PT. Ambos instituem a Terrabras, mas divergem no modelo de atuação:

  • PL 1733/2026: estrutura uma estatal com presença em toda a cadeia produtiva.
  • PL 1754/2026: adota regime de partilha mineral semelhante ao do pré-sal, prevendo participação direta da União na produção.

Brasil detém 20% das reservas, mas é produtor marginal

Apesar de concentrar cerca de 20% das reservas globais de terras raras, o país possui apenas uma mina em operação – o projeto Serra Verde. A cadeia mundial é dominada pela China, responsável por 70% da produção e mais de 90% da capacidade de refino.

Especialistas alertam para riscos a investidores

Para Frederico Bedran, presidente da Associação de Minerais Críticos (AMC), a criação da Terrabras pode afastar capital estrangeiro e comprometer todo o segmento de minerais críticos, como lítio, níquel e cobre. “Formar uma estatal que levaria anos para começar a operar pode significar perder a janela de oportunidade”, afirma.

O advogado Luiz Carlos Adami, especialista em direito da mineração, destaca que o Estado passaria a competir em um mercado que ele mesmo regula, comprometendo a neutralidade regulatória. Já Giuliano Miotto, presidente do Instituto Liberdade e Justiça, lembra o histórico de má gestão em estatais e classifica a iniciativa como “ineficiente”.

Precedente do urânio reforça preocupação

Críticos citam o monopólio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) sobre o urânio como exemplo de intervenção que limitou o desenvolvimento do setor. Mesmo com grandes reservas, o país produz apenas o necessário para abastecer as usinas de Angra 1 e 2 e não avançou no ciclo completo do combustível.

Projeto alternativo propõe política de Estado

A discussão sobre a Terrabras ocorre paralelamente ao PL 2780/2024, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto, construído com participação do setor privado, prevê incentivos e diretrizes de mercado sem a formação de uma estatal e já recebeu apoio de parte dos investidores.

Bedran defende que soberania se conquista com abertura e previsibilidade regulatória. “Isolamento não fortalece o país”, conclui.

Os dois projetos que instituem a Terrabras aguardam despacho da Mesa Diretora da Câmara para definição das comissões por onde irão tramitar.

Com informações de Gazeta do Povo