O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) transformou o Supremo Tribunal Federal (STF) em alvo principal de sua pré-campanha ao Planalto após troca de críticas com o ministro Gilmar Mendes. Em vídeo divulgado em 17 de abril de 2026, Zema afirmou que não se sente “intimidado” e que continuará questionando decisões da Corte.
Embate teve início com cobrança de Gilmar
A discussão começou quando Gilmar Mendes classificou como “irônico” o fato de Zema atacar o STF depois de ter recorrido ao tribunal para aliviar as contas mineiras. O decano lembrou ações que garantiram fluxo de caixa ao estado. Zema respondeu que a decisão favorável “não foi um favor” e declarou: “Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política. Comigo é diferente”.
Discurso contra STF é eixo da campanha
No dia 16 de abril, em São Paulo, Zema apresentou diretrizes de campanha e prometeu “acabar com a farra dos intocáveis” caso seja eleito. Entre as propostas, defende:
- mandato de 15 anos para ministros do STF;
- idade mínima de 60 anos para indicação;
- restrições a atividades de parentes com potencial conflito de interesses;
- obrigação de prestação de contas das decisões da Corte.
Estrategistas veem tentativa de nacionalizar nome
Segundo o cientista político Luiz Felipe d’Avila, integrante da equipe do Novo, o objetivo é recolocar o STF como “intérprete” da Constituição. A cúpula do partido avalia que o desgaste da Corte abre espaço para a pauta. Levantamento Datafolha feito de 7 a 9 de abril com 2.004 entrevistas indica que 75% dos brasileiros consideram o STF poderoso demais, embora 71% o vejam como essencial para a democracia. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-03770/2026.
Riscos jurídicos no horizonte
O advogado eleitoral Roosevelt Arraes, da Abradep, alerta que críticas são legítimas, mas declarações falsas sobre o Judiciário podem gerar punições, inclusive cassação ou inelegibilidade. O tema ganhou força após o ministro Dias Toffoli afirmar que ataques institucionais visando lucro eleitoral podem ser punidos pela Justiça Eleitoral.
Para o cientista político Elias Tavares, a estratégia garante visibilidade imediata, mas pode limitar a expansão de Zema para além do eleitorado de direita, exigindo cuidado para não ultrapassar fronteiras legais.
Com informações de Gazeta do Povo