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Motta admite rever “taxa das blusinhas”, mas descarta extinção completa do imposto

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Brasília — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (17) que a possível revogação da chamada “taxa das blusinhas” poderá voltar à pauta do Legislativo, mas sem eliminar totalmente o tributo.

O imposto de importação, fixado em 20% para compras no exterior de até US$ 50, foi aprovado há quase dois anos e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, o Palácio do Planalto avalia rever a cobrança para elevar a popularidade de Lula às vésperas do período eleitoral.

Em entrevista à GloboNews, Motta disse que vai “ouvir o setor produtivo, as lideranças partidárias e os representantes dos consumidores” antes de qualquer decisão. “A Câmara é simpática à redução de impostos, mas precisamos medir o impacto fiscal”, declarou.

Segundo o deputado, a intenção do governo foi conhecida por ele após entrevista do novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE). A taxação, ressaltou Motta, foi criada para proteger o varejo nacional da concorrência de plataformas estrangeiras, sobretudo chinesas, que vendem produtos a preços bem inferiores aos do mercado interno.

Queda de popularidade

Pelas pesquisas da AtlasIntel/Bloomberg, 62% dos entrevistados em março consideram a “taxa das blusinhas” o maior erro do atual mandato de Lula. Apesar do desgaste político, Motta reiterou que a revogação total não é provável e que um “modelo ideal” ainda precisa ser encontrado.

Impacto nos cofres públicos

De acordo com a Receita Federal, o tributo rendeu R$ 5 bilhões ao governo em 2025, além de ganhos de até 2,7% para o varejo doméstico. Entre janeiro e março de 2026, a arrecadação somou R$ 1,2 bilhão. A cobrança inclui 20% de imposto federal e 17% de ICMS estadual.

Setores defendem manutenção

Mais de 50 entidades ligadas à indústria, ao comércio e ao varejo divulgaram neste mês um manifesto em defesa da continuação da taxa, alegando geração de empregos e novos investimentos após o início da cobrança.

A discussão sobre o imposto fará parte da reunião marcada entre Motta e Guimarães ainda nesta sexta. O encontro também abordará o projeto de lei com urgência constitucional que reduz a jornada de trabalho 6×1, proposta que, segundo o presidente da Câmara, deve avançar por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), em ritmo mais lento.

Com informações de Gazeta do Povo