Representantes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump se encontraram em Washington, nesta quarta-feira (15) e quinta-feira (16), para avançar nas discussões sobre a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O procedimento, conduzido unilateralmente por Washington, mira políticas que os norte-americanos classificam como barreiras comerciais, em especial o sistema de pagamentos instantâneos PIX e regras ligadas ao etanol.
Conversas técnicas
As reuniões ocorreram em caráter estritamente técnico, sem previsão de anúncio imediato de medidas. A delegação brasileira levou esclarecimentos já fornecidos anteriormente, inclusive durante audiência realizada na capital norte-americana no ano passado.
“O governo brasileiro está prestando todas as informações necessárias e confia numa solução negociada”, declarou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), após ser informado sobre o andamento das tratativas.
Ameaça de novo tarifaço
O inquérito norte-americano pode resultar em um aumento de tarifas contra produtos brasileiros, repetindo o tarifaço de 50% imposto em meados de 2025. O presidente Lula tem reiterado que não aceitará pressões externas para alterar políticas consideradas estratégicas, como o PIX, desenvolvido pelo Banco Central.
Déficit na balança bilateral
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e mantêm superávit expressivo na relação. Em 2025, o déficit brasileiro foi de aproximadamente US$ 7,5 bilhões, tendência que se repete desde 2009. Entre 1997 e 2025, o saldo negativo acumulado ultrapassou US$ 48 bilhões. Somente em 2024, o déficit total — que inclui bens e serviços — superou US$ 28 bilhões, com destaque para o setor de serviços.
As delegações não definiram data para um novo encontro, mas técnicos dos dois países continuarão trocando informações enquanto a investigação prossegue.
Com informações de Gazeta do Povo