Cerca de dois anos após iniciar trabalhos em unidades prisionais, a ONG Ame Mulheres Esquecidas (A.M.E) realizou, na última Páscoa, uma ação de evangelismo em um presídio feminino de Goiás que incluiu o tradicional lava-pés, refeições e momentos de oração com as detentas.
Lideradas pela pastora Shaila Manzoni, voluntárias da entidade prepararam uma celebração que, segundo elas, procurou “revelar o caráter de Deus” às internas. “Estamos aqui para celebrar a Páscoa com elas”, declarou a pastora ao chegar ao local.
Gesto simbólico
Durante a cerimônia, as cristãs lavaram os pés das presas, entoaram cânticos e compartilharam passagens bíblicas. Enquanto serviam a refeição, oravam pelas mulheres e destacavam que o gesto seguia o exemplo de proximidade demonstrado por Jesus. “Tocar nos pés de alguém talvez seja uma das formas de estar mais perto desse alguém”, afirmou Shaila.
Para a líder religiosa, a iniciativa não relativiza o crime nem ignora suas consequências. “Lavar pés aqui não é romantizar o erro, mas revelar um Deus que se aproxima onde a gente recuaria”, pontuou.
Histórico da ONG
Criada oficialmente em 4 de agosto de 2018, a A.M.E surgiu após um sonho da própria Shaila, no qual ela se via cuidando de mulheres esquecidas em um presídio. A primeira visita a uma unidade carcerária aconteceu em maio de 2020 e deu início a uma série de projetos sociais, como o programa Recomeçar, focado na ressocialização das detentas.
Hoje, a organização atua com campanhas de doação, ações periódicas e mobilização de voluntários. “Estamos em lugares onde a maioria não gostaria de estar, mas fazemos isso porque o amor não pergunta quem merece, e sim quem precisa”, informa o site da entidade.
Segundo a A.M.E, tornar-se uma associação sem fins lucrativos em menos de dois anos foi parte essencial para ampliar o atendimento em unidades prisionais e fortalecer as atividades que buscam devolver dignidade a mulheres privadas de liberdade.
As voluntárias pretendem manter a agenda de visitas e ações, reforçando que “o amor de Deus é capaz de mudar vidas” e que o trabalho só será possível com apoio contínuo de parceiros e doadores.
Com informações de Guiame