O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara para as próximas semanas o anúncio de uma versão reforçada do Programa Desenrola, criado para renegociar dívidas de pessoas físicas. A iniciativa busca aliviar o orçamento das famílias, cujo nível de endividamento alcançou 80,4% em março de 2026, segundo dados oficiais.
Como funciona o novo Desenrola
A proposta mantém a lógica de oferecer garantias do governo a bancos e financeiras, incentivando descontos maiores e a troca de dívidas mais caras por empréstimos com juros inferiores. O plano contempla dois perfis de devedores:
- Baixa renda – consumidores com contas em atraso há vários meses;
- Adimplentes comprometidos – pessoas que pagam as parcelas em dia, mas destinam parcela expressiva do salário ao serviço da dívida.
Uso do FGTS para quitação de débitos
Entre as medidas avaliadas, trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos poderão utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para liquidar dívidas. O fundo também poderá servir como garantia em empréstimos consignados no setor privado, visando reduzir as taxas hoje próximas de 4% ao mês.
Custos e obstáculos fiscais
Para financiar o programa sem pressionar as contas públicas, a equipe econômica estuda mobilizar R$ 10,5 bilhões de valores esquecidos em bancos. A proposta enfrenta resistência das próprias instituições e cria impasses contábeis no Tesouro Nacional. Há ainda discussão sobre a possível redução do IOF nas renegociações, o que diminuiria a arrecadação em pleno ajuste fiscal.
Por que a situação é considerada crítica?
Especialistas apontam que o principal problema não é o montante devido, mas o comprometimento de renda: cerca de 30% do orçamento familiar é consumido por juros e amortizações, um dos índices mais altos do mundo. O uso do rotativo do cartão de crédito, com juros que chegam a 435% ao ano, amplia o risco de “bola de neve”.
Ceticismo entre economistas
Analistas alertam que, sem mudança de comportamento e educação financeira, o alívio oferecido pelo Desenrola pode ser passageiro. Ao reestruturar dívidas, famílias tendem a buscar novo crédito, elevando novamente o endividamento. Além disso, a inflação segue como fator que corrói o poder de compra dos mais pobres, reduzindo a efetividade de medidas pontuais.
A nova rodada do Desenrola deverá ser detalhada pelo governo ainda este mês, em meio ao calendário eleitoral de 2026 e à perda de popularidade registrada pelas últimas pesquisas de opinião.
Com informações de Gazeta do Povo