A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviará nesta terça-feira, 14 de abril, uma carta aos presidentes da Câmara e do Senado para reiterar oposição ao término da escala 6×1 e à redução da jornada semanal sem corte proporcional de salários.
Assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, o documento reforça argumentos já apresentados pelo setor produtivo. Segundo a CNI, a medida reduziria a competitividade das empresas, elevaria custos para o consumidor e enfraqueceria o emprego formal.
Projeções de impacto
No texto, a confederação estima que a mudança provocaria alta média de 6,2% nos preços ao consumidor, chegando a 5,7% apenas nos supermercados. Um estudo da entidade calcula ainda retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) — o equivalente a R$ 76,4 bilhões por ano —, com queda de 1,2% na indústria e perdas adicionais no comércio e nos serviços.
Manifesto conjunto
A carta a ser protocolada no Congresso resume um manifesto elaborado na semana passada por 800 organizações empresariais intitulado “Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil”. O grupo defende discussão técnica mais ampla, diferenciação por setor econômico e medidas que evitem aumento da informalidade, com atenção especial aos segmentos têxtil e de panificação.
Tramitação no Parlamento
O tema avança por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O governo afirma estar pronto para enviar um projeto de lei em regime de urgência, mas ainda não definiu data para o encaminhamento.
No Legislativo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou a discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para quarta-feira, 15 de abril, e anunciou a criação de uma comissão especial com previsão de apresentar parecer completo até o próximo mês. O Palácio do Planalto pretende votar a matéria em plenário ainda em maio.
Com informações de Gazeta do Povo