Londres, 13 abr. 2026 – O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou nesta segunda-feira (13) que o Reino Unido não acompanhará a decisão dos Estados Unidos de bloquear o Estreito de Ormuz. Em entrevista à BBC Radio 5, o chefe de governo reiterou que a prioridade britânica é a “reabertura total” da passagem estratégica, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial antes do atual conflito.
“Todos os nossos esforços diplomáticos e políticos estão focados em manter o estreito aberto, não em fechá-lo”, disse Starmer. Segundo ele, enquanto a via marítima permanecer obstruída, combustíveis não chegarão ao mercado, pressionando os preços globais de energia e as contas dos consumidores britânicos.
Irã mantém barreira apesar de cessar-fogo parcial
O Estreito de Ormuz foi praticamente fechado pelo Irã após o início da guerra em 28 de fevereiro. Embora Teerã e Washington tenham anunciado um cessar-fogo de duas semanas na semana passada, o regime iraniano restabeleceu o bloqueio ao alegar violações do acordo por ataques de Israel ao Líbano, onde forças israelenses enfrentam o Hezbollah, aliado iraniano. Estados Unidos e Israel sustentam que a trégua não se aplica ao território libanês.
Resposta americana
Sem avanço nas negociações realizadas no Paquistão no fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio naval unilateral. A partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira, a Marinha norte-americana pretende impedir a entrada ou saída de qualquer embarcação pelo estreito e interceptar navios em águas internacionais que tenham pagado pedágio ao Irã. O plano inclui bloquear acessos a portos iranianos.
Tensão com aliados
Na semana passada, Starmer já havia criticado Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, responsabilizando-os, respectivamente, pela escalada dos preços de energia devido à guerra com o Irã e pela invasão da Ucrânia. Trump, por sua vez, acusou aliados europeus de não contribuírem para a reabertura de Ormuz e chegou a ironizar a capacidade naval britânica.
O governo do Reino Unido prossegue em gestões diplomáticas para restaurar a navegação na região, considerada vital ao abastecimento global de hidrocarbonetos.
Com informações de Gazeta do Povo