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Cem dias sem Maduro: libertações contestadas, reformas econômicas e pressão por eleições na Venezuela

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Caracas – Cem dias após a captura de Nicolás Maduro por agentes norte-americanos, a Venezuela segue administrada provisoriamente pela vice-presidenta Delcy Rodríguez. O período é marcado por promessas de abertura política, ajustes econômicos para atrair investidores dos Estados Unidos e cobranças cada vez mais fortes da oposição por eleições antecipadas.

Situação dos presos políticos

O governo interino afirma ter concedido anistia e libertado mais de 8 mil detidos. A oposição contesta o número e contabiliza apenas 758 solturas. Segundo organizações de direitos humanos, ao menos 485 pessoas – entre elas militares, mulheres e um adolescente – permanecem presas por motivos políticos. Novas detenções continuam ocorrendo; a mais recente envolve uma jovem de 16 anos acusada de terrorismo.

Reformas consideradas superficiais

Rodríguez fechou centros de detenção denunciados como locais de tortura e substituiu o comando das Forças Armadas e do Ministério Público. Analistas classificam as mudanças como “maquiagem”, já que os novos titulares, como o ministro da Defesa Gustavo González López, mantêm vínculos históricos com o chavismo e com denúncias de violações de direitos humanos. A estrutura de vigilância e controle político segue operando.

Abertura econômica pactuada com Washington

No campo econômico, há avanços concretos. Caracas modificou leis de petróleo e mineração, permitindo participação direta de companhias privadas e estrangeiras pela primeira vez em décadas. Em resposta, o governo norte-americano liberou investimentos no setor energético e reabriu oficialmente sua embaixada na capital venezuelana, sinalizando reaproximação diplomática.

População vê pouca melhora no cotidiano

Apesar da ligeira redução na violência policial durante protestos, a crise econômica persiste. Trabalhadores foram às ruas reivindicar reajuste do salário mínimo, congelado desde 2022 em montante equivalente a R$ 1,30 mensais. As manifestações ainda enfrentam repressão e agressões a jornalistas que tentam cobrir os atos.

Oposição pressiona por novo pleito

Lideranças como María Corina Machado sustentam que os 90 dias previstos pela Constituição para declarar vacância da Presidência já se esgotaram, exigindo convocação imediata de eleições gerais. Para o bloco opositor, o governo interino foi criado artificialmente pelo Tribunal Supremo para prolongar o chavismo. Eles também pedem a reconfiguração do Conselho Nacional Eleitoral.

Enquanto Washington e Caracas estreitam laços comerciais, o impasse político interno permanece, com libertações contestadas, reformas apontadas como cosméticas e uma população que segue aguardando alívio econômico efetivo.

Com informações de Gazeta do Povo