Caracas — O partido Vente Venezuela, liderado pela opositora María Corina Machado, divulgou nesta sexta-feira (10) um comunicado no qual cobra a convocação urgente de eleições presidenciais, alegando “ausência absoluta de poder” no país.
Segundo a legenda, a Constituição venezuelana determina que, diante da falta definitiva do presidente, o pleito deve ser chamado em até 30 dias. O grupo afirma que o prazo está esgotado, já que mais de 90 dias se passaram desde a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em 3 de janeiro deste ano, e sua posterior saída do território venezuelano.
Críticas ao Supremo e à permanência de Delcy Rodríguez
No documento, o partido questiona a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que autorizou Delcy Rodríguez a assumir a chefia do Executivo sob o argumento de “ausência forçosa” — termo que, de acordo com a sigla, não é previsto na Carta Magna. Para o Vente Venezuela, a interpretação adotada pela corte, composta majoritariamente por aliados do chavismo, mantém o controle político sem recorrer ao mecanismo eleitoral.
A legenda também destaca que Rodríguez não foi eleita diretamente para o cargo e, portanto, considera sua gestão ilegítima. Ignorar o dispositivo constitucional, diz o texto, impede uma transição democrática e prolonga a crise política.
Movimentos da oposição e protestos nas ruas
A manifestação do Vente Venezuela ocorre um dia depois de a Plataforma Democrática Unitária (PUD), principal coalizão opositora, anunciar que apresentará no próximo domingo (12) seu plano de transição política, marcando os 90 dias do início do governo interino de Delcy Rodríguez.
No mesmo dia, organizações de direitos humanos denunciaram a detenção de pelo menos cinco pessoas durante um protesto em Caracas. Cerca de 2 mil trabalhadores tomaram as ruas para reivindicar aumento salarial e foram dispersados com gás lacrimogêneo. Há relatos de prisões de cidadãos que apenas registravam a manifestação.
Com informações de Gazeta do Povo