A Petrobras anunciou que devolverá às distribuidoras a diferença cobrada no leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado em 31 de março de 2026. A medida foi tomada depois de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o certame como “cretinice” e ameaçou anulá-lo.
Segundo a estatal, será restituído o valor correspondente ao intervalo entre os lances pagos no leilão e o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a semana de 23 a 27 de março. A decisão foi aprovada pela Diretoria Executiva na quarta-feira (8) e detalhada em nota na quinta-feira (9).
A companhia justificou o recuo alegando “excepcionalidade do contexto mercadológico”, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, além de manifestações da ANP e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
O leilão comercializou 70 mil toneladas de GLP, o equivalente a cerca de 11% da demanda mensal do país. Apesar da devolução dos valores, a Petrobras garantiu que todo o volume será entregue e que não há risco de desabastecimento.
Paralelamente, a empresa avalia aderir ao programa federal de subvenção ao GLP importado, criado pela Medida Provisória 1.349. Caso a adesão seja confirmada e os lotes leiloados se enquadrem no subsídio, novos ressarcimentos poderão ser efetuados.
O preço do botijão é considerado sensível politicamente. O governo pretende usar o programa Gás do Povo, que atende cerca de 15 milhões de famílias, como peça-chave na campanha pela reeleição de Lula.
Com informações de Gazeta do Povo