Home / Economia / Senado protela decisão sobre PEC que amplia autonomia do Banco Central em meio ao escândalo do Banco Master

Senado protela decisão sobre PEC que amplia autonomia do Banco Central em meio ao escândalo do Banco Master

ocrente 1779832174
Spread the love

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado decidiu adiar para quarta-feira, 27 de maio, a votação da Proposta de Emenda à Constituição 65/2023, que prevê autonomia técnica, administrativa, financeira e orçamentária ao Banco Central (BC). O pedido de vista ocorreu nesta terça-feira (26), em meio à pressão política gerada pelo escândalo do Banco Master e à ofensiva do PT contra a independência da autoridade monetária.

De autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e relatada por Plínio Valério (PSDB-AM), a PEC transforma o BC em “instituição de natureza especial”, retirando-o da dependência do Poder Executivo para orçamento, contratações e estrutura operacional. A proposta tem o apoio declarado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de bancada de oposição e parte do Centrão.

Crise do Banco Master pauta debate

O escândalo envolvendo o Banco Master reforçou os argumentos de parlamentares favoráveis à autonomia plena do BC. Na semana passada (19), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, relacionou as falhas de supervisão reveladas pelo caso às limitações de pessoal e orçamento do órgão. “Não peço apoio, peço socorro”, declarou o economista aos senadores.

Galípolo afirmou que a autoridade monetária opera próxima do limite de capacidade, diante da sofisticação do sistema bancário e de esquemas de lavagem de dinheiro. Consultorias políticas avaliam que a postura do presidente do BC fortaleceu o discurso a favor da PEC, ainda que o avanço da matéria neste ano seja considerado improvável por alterar competências durante o fim de um mandato presidencial.

PT articula retrocesso na independência

Na direção oposta, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), apresentou projeto que recoloca o Banco Central sob o guarda-chuva do Ministério da Fazenda, reduzindo a autonomia conquistada em 2021. A sigla argumenta que o sistema financeiro “não pode ser regido apenas por lógica técnica de mercado”.

Entidades sindicais de servidores do BC também fazem lobby contra a PEC 65/2023, alegando risco de “captura” da instituição por interesses privados e eventual privatização. As suspeitas de corrupção levantadas no caso Master, segundo os sindicatos, demonstrariam o perigo de flexibilizar o regime jurídico do órgão.

Negociações e impasses

Durante a tramitação, senadores acrescentaram dispositivo que transfere ao Banco Central parte das competências de supervisão hoje concentradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), especialmente sobre fundos de investimentos – ponto negociado após as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Embora líderes do Senado acreditem que a PEC possa avançar na CCJ e até no plenário, a expectativa é de que a matéria encontre maior resistência na Câmara dos Deputados, onde a bancada governista atua para barrar qualquer ampliação da autonomia do BC.

Se aprovada, a emenda constitucional dará ao Banco Central blindagem institucional superior à prevista na lei de independência sancionada em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As discussões devem intensificar-se nas próximas semanas, impulsionadas pela proximidade das eleições de 2026 e pelo desfecho das cinco frentes de investigação abertas na Polícia Federal sobre o caso Banco Master.

Com informações de Gazeta do Povo