Home / Notícias / Ives Gandra aponta crescimento da insegurança jurídica com avanço da reforma tributária

Ives Gandra aponta crescimento da insegurança jurídica com avanço da reforma tributária

ocrente 1775489687
Spread the love

São Paulo, 6 de abril de 2026 – O jurista Ives Gandra Martins afirmou que a reforma tributária em implementação eleva a insegurança jurídica no país. A declaração foi feita na abertura de uma reunião do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, que discutiu o tema “Soberania fiscal em xeque? Tensões e novos paradigmas tributários”.

Segundo o professor emérito, a convivência entre Poderes tem gerado “máxima insegurança jurídica”, agravada por escândalos que, de acordo com ele, levam as instituições a se protegerem mutuamente.

Gandra destacou que a nova tributação sobre consumo – já iniciada com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e prevista para ser concluída em 2029 com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) – multiplicou o volume de normas. “Temos dez vezes mais artigos sobre tributação do consumo do que no Código Tributário Nacional e três vezes mais do que todo o sistema aprovado na Constituição de 1988”, observou.

Para o jurista, essa “inflação normativa” aumentará o custo de conformidade. Ele argumenta que, durante o período de transição, empresas terão de lidar simultaneamente com dois modelos de cobrança, o que resultará em sobrecarga administrativa e necessidade de investimentos adicionais em tecnologia e assessoria jurídica.

Gandra contesta a tese de que o novo modelo simplifica o sistema: “Minha inteligência é limitada demais para compreender essa simplificação tão complexa”, ironizou.

O Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP reúne especialistas como os economistas Marcos Cintra e Paulo Rabello de Castro, além de Felipe Silva, diretor da Faculdade Brasileira de Tributação. Sob coordenação de Gandra, o grupo prepara um livro sobre a reforma do consumo, analisando entraves já identificados na fase inicial.

Os estudos, segundo o jurista, visam apontar gargalos que poderão exigir ajustes legislativos. Ele lembrou que, a partir de 2027, a renovação de dois terços do Senado poderá viabilizar mudanças, pois há expectativa de maioria conservadora no Congresso.

Entre tributaristas e docentes consultados, o clima é de incerteza. Na avaliação de Gandra, a falta de regras claras refreia investimentos e posterga projetos estratégicos, afetando crescimento econômico e geração de empregos.

Questionado sobre a reforma em palestras, o professor costuma responder “talvez” – postura que, segundo ele, reflete a cautela diante das dúvidas que cercam o novo sistema.

Com informações de Pleno.News