As limitações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), às visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro elevaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à linha de frente das articulações do Partido Liberal para as eleições de 2026. Com o pai em prisão domiciliar e autorizado a receber apenas familiares e advogados, Flávio passou a conduzir a escolha dos nomes que disputarão as cadeiras do Senado.
Senado no centro da estratégia
Aliados avaliam que a formação de uma bancada ideologicamente alinhada no Senado tornou-se prioridade, pois a Casa detém prerrogativas como sabatinar ministros do STF e analisar pedidos de impeachment. Para o cientista político Magno Karl, controlar o Senado é visto pela direita como caminho institucional para influenciar o Judiciário sem depender da Presidência.
Aval nas pesquisas reforça protagonismo
O avanço de Flávio nas sondagens eleitorais também pesou na transferência de responsabilidades. Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 30 de março, indica 45,2% das intenções de voto para o senador em um eventual segundo turno contra 44,1% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa ouviu 2.080 eleitores entre 25 e 28 de março, margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
PL quer evitar concessões ao Centrão
Segundo interlocutores, Flávio tornou-se o principal elo entre Jair Bolsonaro, governadores e pré-candidatos em diversos estados. A orientação interna é lançar apenas nomes de confiança do ex-presidente, afastando o Centrão das disputas ao Senado. “Já temos muitos nomes escolhidos, sempre com o aval dele”, afirmou o senador.
Entre os pré-lançados estão o deputado Sanderson, no Rio Grande do Sul, e o deputado Marcos Pollon, no Mato Grosso do Sul. Para Pollon, o momento representa “perseguição judicial contra um ex-presidente”, declaração alinhada ao discurso crítico ao Supremo que se intensificou na base bolsonarista.
Críticas ao STF ganham apoio popular
Pesquisa Genial/Quaest, realizada de 6 a 9 de março com 2.004 entrevistados, mostra que 66% dos brasileiros defendem eleger senadores dispostos a analisar pedidos de impeachment de ministros do STF; 22% são contrários. O mesmo levantamento aponta que 72% veem “poder demais” na Corte e 59% a consideram aliada do governo federal.
Com dois terços das cadeiras do Senado em disputa em 2026, o cientista político Elias Tavares observa que a renovação oferece “janela concreta” para alterar a correlação de forças na Casa. Segundo ele, uma eventual maioria conservadora teria “capacidade de pressão” sobre o STF, especialmente em sabatinas e indicações.
Dentro do PL, a expectativa é que o protagonismo de Flávio Bolsonaro consolide a liderança interna do senador e fortaleça o partido na corrida por vagas no Senado, mantendo a influência de Jair Bolsonaro mesmo com as restrições de contato.
Com informações de Gazeta do Povo