Belo Horizonte – A renovação, em 25 de março, do contrato da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) com a prefeitura de Belo Horizonte eliminou o principal obstáculo para a venda de parte do capital da estatal mineira, estimada em até R$ 10 bilhões. O acordo prevê outorga de aproximadamente R$ 1,8 bilhão aos cofres municipais e abre caminho para a publicação do prospecto da oferta de ações.
O governador Mateus Simões (PSD) indicou cronograma apertado: edital “nas próximas semanas” e leilão em até dois meses. O modelo em discussão deve selecionar um investidor de referência com cerca de 30% do capital, seguido de oferta adicional de ações ao mercado.
Favoritos na disputa
Duas frentes despontam como mais prováveis compradoras:
- Aegea – maior operadora privada de saneamento do país, atende 39 milhões de pessoas em mais de 800 municípios. Com Itaúsa e o fundo soberano de Singapura (GIC) no capital, estuda usar a Copasa como plataforma para um “IPO reverso”.
- Sabesp + Equatorial – parceria que repetiria a fórmula usada na própria privatização da Sabesp há dois anos. A companhia paulista, com balanço pouco alavancado, vê na Copasa oportunidade de escala; já a Equatorial atuaria como investidora estratégica.
Outros interessados são citados com menor probabilidade. A gestora Perfin, acionista minoritária da Copasa, avalia a operação sozinha; a BRK Ambiental enfrenta alto endividamento após recentes concessões; e a francesa Veolia demonstrou interesse inicial, porém sem forte mobilização.
Ponto de tensão: direito de cobrir oferta
Investidores pedem a inclusão de cláusula de “right to match” que lhes permita igualar o preço das ações caso o mercado pague mais na segunda fase da oferta. Sem o dispositivo, candidatos temem precificar a empresa e, depois, serem excluídos se a demanda elevar a cotação. O governo mineiro quer evitar repetição da crítica sofrida por São Paulo na venda da Sabesp, quando parte das ações foi negociada a um valor inferior ao praticado dias depois em bolsa.
Valorização em bolsa e destino dos recursos
As expectativas de desestatização impulsionaram os papéis da Copasa: em 23 de março de 2025 eram negociados a R$ 23,42; um ano depois, alcançaram R$ 55,48. A arrecadação com a venda será destinada ao pagamento da dívida estadual junto à União, dentro do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
A privatização cumprirá promessa de campanha feita em duas eleições pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), que deixou o Palácio Tiradentes para disputar a Presidência da República. Copasa, Aegea e Equatorial se mantêm em período de silêncio exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e não comentam o processo.
O edital final, com ou sem a cláusula de direito de cobertura, é aguardado para qualquer momento.
Com informações de Gazeta do Povo