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CPI do Crime Organizado adia oitiva de empresário suspeito de operar propinas para o Banco Master

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Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada no Senado, cancelou a sessão que ocorreria nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, dedicada a ouvir o empresário Leonardo Augusto Palhares. A decisão foi anunciada pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), sem que o motivo do adiamento fosse detalhado.

Apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, Palhares é investigado por administrar o pagamento de propinas a servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas que beneficiariam a instituição de Vorcaro.

Esquema no Banco Central

De acordo com as investigações, o empresário utilizava a empresa Varajo Consultoria para repassar valores ilícitos a dois funcionários de alto escalão do BC: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Em contrapartida, os servidores forneciam orientações estratégicas e dados confidenciais ao grupo liderado pelo banqueiro.

“Milícia digital” e pagamentos mensais

Relatórios da Polícia Federal também atribuem a Palhares a responsabilidade por operacionalizar cerca de R$ 1 milhão mensais destinados a uma rede conhecida como A Turma, apontada como “milícia digital” usada por Vorcaro para intimidar e ameaçar desafetos.

Fundação Solar sob suspeita

Outra frente de apuração envolve a ONG Fundação Solar, administrada por Palhares e que tem como embaixadora a filha menor de idade de Vorcaro. Embora a entidade declare desenvolver projetos educacionais na África, investigadores suspeitam que ela seja utilizada para movimentar recursos do grupo criminoso, mantendo contas no Banco Master mesmo durante a crise de liquidez da instituição.

Coaf também ficaria na pauta

A mesma sessão cancelada receberia o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, convidado a detalhar estratégias de combate à lavagem de dinheiro e o rastreamento de ativos de facções criminosas. A nova data para os dois depoimentos ainda não foi definida.

Com o cancelamento, a CPI adiou a coleta de esclarecimentos considerados centrais para o avanço das investigações sobre o suposto esquema de corrupção que envolve o Banco Master, servidores públicos e a distribuição de recursos para ataques virtuais contra opositores.

Com informações de Gazeta do Povo