Brasília, 27 de março de 2026 – O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, classificou esta sexta-feira como o “dia da verdade” para o colegiado. A definição veio após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar, por 8 votos a 2, a liminar do ministro André Mendonça que estenderia os trabalhos da comissão por mais 60 dias.
Com a decisão, o relatório final precisa ser apresentado até sábado (28). Viana disse que, se necessário, uma nova sessão será convocada para o dia seguinte, garantindo a leitura completa das mais de 5 mil páginas do documento, que prevê 228 pedidos de indiciamento.
Relatório detalha suposto rombo de R$ 40 bilhões
O relator Alfredo Gaspar (União-AL) informou que o texto descreve um esquema que teria causado até R$ 40 bilhões em prejuízos a aposentados e pensionistas. Segundo ele, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparecem na lista de indiciados, apesar de as fraudes terem ocorrido em ambos os governos.
Para Viana, cerca de 60 % do conteúdo técnico do relatório já conta com consenso entre parlamentares da base governista e da oposição. “O mais importante é entregar ao país uma investigação completa”, frisou.
Troca de acusações no plenário
A sessão foi marcada por embates. Parlamentares da oposição criticaram o STF por impedir a prorrogação e acusaram o governo de tentar blindar investigações envolvendo familiares do presidente Lula. Já membros da base afirmaram que as fraudes tiveram origem na gestão Bolsonaro e destacaram a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal na apuração.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) falou em “blindagens sucessivas” e disse que a CPMI já levou 14 investigados à prisão. Em resposta, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou a comissão de “circo” e atribuiu as descobertas ao atual governo, citando suposta falta de ação durante o mandato anterior.
Discussões também envolveram o suposto vínculo de autorizações para entidades associativas durante o governo Bolsonaro e possíveis relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e financiamentos de campanha.
Com tempo apertado, a CPMI tenta concluir debates, votar o parecer e encaminhar o resultado às autoridades competentes até o fim de sábado.
Com informações de Gazeta do Povo