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General francês acusa “imprevisibilidade” dos EUA de comprometer segurança da França

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Paris, 25 de março de 2026 — O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da França, general Fabien Mandon, afirmou que a postura “cada vez mais imprevisível” dos Estados Unidos tem impacto direto na política de defesa francesa.

Em discurso durante um fórum de segurança e defesa realizado nesta terça-feira (24) na capital francesa, Mandon declarou que Washington deixou de informar aliados sobre operações militares recentes. “Fomos surpreendidos por um aliado americano, que continua sendo nosso aliado, mas que se tornou imprevisível e não se preocupa em nos avisar quando decide lançar ações militares”, disse o oficial.

Referência à guerra contra o Irã

O general citou a ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, como exemplo de operação anunciada sem consulta à França. Segundo ele, a falta de coordenação “afeta nossa segurança e nossos interesses”, obrigando Paris a adotar medidas urgentes para proteger cidadãos franceses em trânsito no Oriente Médio.

Críticas também ao recuo no Afeganistão

Mandon recordou a retirada norte-americana do Afeganistão em 2021, durante o governo Joe Biden. À época, os Estados Unidos haviam invocado o Artigo 5º da Otan, que considera um ataque a um país membro como agressão a todos. “Intervimos no Afeganistão a pedido dos americanos e eles optaram por sair sem nos informar”, afirmou.

Tensões políticas recorrentes

Não é a primeira vez que autoridades francesas manifestam preocupação. Em fevereiro, o presidente Emmanuel Macron classificou a postura do governo Donald Trump como “antieuropeia” e acusou Washington de buscar o enfraquecimento da União Europeia. Na semana passada, Trump chamou aliados da Otan de “covardes” por não participarem da abertura do Estreito de Ormuz, quase totalmente bloqueado pelo Irã, e já havia provocado atritos ao sugerir a anexação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

Segundo Mandon, o foco imediato das forças francesas é garantir a segurança de seus cidadãos na região afetada, enquanto o governo avalia formas de contornar a crescente falta de previsibilidade das ações norte-americanas.

Com informações de Gazeta do Povo