Em meio à nova escalada militar entre Israel e Hezbollah, analistas de segurança alertam que bombardeios aéreos ou uma ofensiva terrestre, isoladamente, não bastam para eliminar o grupo libanês de forma permanente.
O alerta foi publicado nesta terça-feira (24.mar.2026) pelo cientista político Lawrence Maximus. Segundo ele, a organização xiita funciona como um “ecossistema de poder” sustentado por dois pilares: financiamento e orientação política do Irã e um aparato econômico-político enraizado no Líbano.
Regime iraniano no alvo
De acordo com Maximus, enquanto a República Islâmica do Irã mantiver estabilidade interna e capacidade financeira, continuará destinando recursos ao aliado libanês. Ele cita estimativa de US$ 1 bilhão transferidos ao Hezbollah desde o cessar-fogo de novembro de 2024, valor empregado na reposição de armamentos e na expansão de sua estrutura militar.
Estrutura doméstica no Líbano
A segunda condição considerada crucial para o desmonte do grupo é o fim de sua influência econômica e política dentro do Líbano. O Hezbollah controla uma rede de finanças paralelas baseada em dinheiro vivo, exerce forte pressão sobre instituições estatais e ocupa cargos estratégicos no governo, fatores que lhe garantem capacidade de se reerguer após cada confronto.
Para especialistas, sem o confisco de arsenais ilegais e a ruptura desse sistema doméstico, qualquer vitória militar tende a ser temporária. “Ou Beirute demonstra força suficiente para desarticular o poder interno do Hezbollah, ou é preciso cortar o vínculo direto com Teerã”, resume Maximus.
O estudo conclui que, na ausência de uma dessas duas mudanças estruturais — queda do regime iraniano ou colapso do aparato político-financeiro do grupo no Líbano —, o ciclo de reconstrução e rearmamento deverá continuar indefinidamente.
Com informações de Pleno.News