Teerã — Autoridades do Irã anunciaram nesta terça-feira (24) a prisão de 466 pessoas acusadas de usar a internet para “prejudicar a segurança nacional” enquanto o conflito contra Israel e Estados Unidos entra no 25º dia.
Segundo a agência estatal Irna, a polícia afirmou que os detidos teriam espalhado “confusão na opinião pública”, incitado “medo e ansiedade” e veiculado “propaganda a favor do inimigo”.
A agência britânica Reuters contabiliza, apenas neste mês, mais de mil prisões de cidadãos suspeitos de filmar instalações sensíveis, publicar conteúdo antirregime ou colaborar com forças adversárias.
Execuções públicas na semana passada
Na quinta-feira (19), o Judiciário iraniano enforcou publicamente três jovens em Qom: Saleh Mohammadi, 19 anos; Saeed Davoudi, 21; e Mehdi Ghasemi. Eles foram condenados pelo crime de “fazer guerra contra Deus”, informou a ONG Centro para os Direitos Humanos no Irã, citando a agência Mizan, ligada ao Judiciário.
O mesmo centro de direitos humanos alerta que dezenas de manifestantes detidos nos protestos de dezembro e janeiro receberam sentenças de morte e continuam ameaçados de execução, incluindo menores de idade.
Balanço da repressão deste ano
A ONG HRANA calcula que cerca de 6,5 mil manifestantes foram mortos e quase 54 mil presos durante a onda de protestos no início de 2026. Parte desses detentos permanece encarcerada sob acusações de crimes contra o Estado.
As autoridades iranianas costumam atribuir as agitações internas a “conspirações estrangeiras” e utilizam acusações de espionagem, blasfêmia ou propaganda contra o regime para justificar as prisões.
Não há indicação de que as recentes detenções e execuções cessem enquanto durar o conflito com Israel e Estados Unidos, que o governo iraniano aponta como principal ameaça à segurança nacional.
Com informações de Gazeta do Povo